Oito lugares para conhecer Manaus

Esse texto que euzinha apresento pra vocês abaixo é de uma moça talentosa que se uniu a turma do Radar Amazônico. Larisse Anselmo só tem 24 anos, mas já percorreu esse mundão afora, com uma mochila nas costas, uma ideia na cabeça e um sonho no coração: conhecer lugares especiais e fazer todo mundo “viajar” através do que viu por aí e por aqui. E nada mais justo do que a ideia de Larisse de começar sua participação no Radar, lembrando que, nesta terça-feira, 24 de outubro, Manaus completa 348 anos. Uma metrópole em meio a floresta, numa relação de harmonia e paz. Bela em sua arquitetura e bela em sua natureza. Passeie com Larisse por oito lugares que fazem parte da história de Manaus. (Any Margareth)

Teatro Amazonas

É quase impossível caminhar pelas ruas do centro de Manaus e não avistar, de longe, aquela cúpula verde e amarela que, diga-se de passagem, sempre me chamou muito a atenção. Sendo honesta, o Largo São Sebastião com o teatro ao fundo, a calçada que representa o encontro das águas, o Monumento à Abertura dos Portos e as casinhas coloridas, é um dos meus lugares favoritos em Manaus.

Antes de escrever esse post, eu só estive dentro do teatro duas vezes, uma para assistir a uma peça de teatro e, em outra, tive o prazer de estar nos bastidores da apresentação de uma banda que fazia cover dos Beatles, fazendo a filmagem direto do camarote do governador. Foi um daqueles trabalhos prazerosos de fazer. Dessa vez não foi diferente. Quis mostrar pra vocês uma visita ao Teatro Amazonas. Optei pela visita guiada e, mais uma vez, me surpreendi e fiquei encantada.

Existem dois tipos de visitas ao interior do teatro, visitas guiadas e autoguiadas. Na visita guiada, nós precisamos seguir um cronograma com a companhia de um guia especialista na história do teatro. Já na visita autoguiada é possível ter o auxílio de totens que descrevem passagens históricas do teatro. As áreas visitadas incluem o salão nobre, uma área que, como diz o próprio nome, em tempos passados só que tinha acesso eram os nobres, nos intervalos das apresentações. Hoje é aberto ao público.

A visita, com cerca de 50 minutos, percorre um grande e valioso acervo que faz parte da história do teatro e da sociedade local. Cada lustre, cada objeto, cada pintura tem uma história e o guia nos conta tudo. É possível conhecer também a maquete do teatro com sua cor original, além de roupas de época que foram utilizadas em apresentações na casa. É uma visita que vale à pena, agregando beleza e conhecimento.

O teatro já foi e continua sendo palco de grandes espetáculos abertos ao público, basta consultar a agenda e garantir os ingressos na bilheteria. Lembrando que, dependendo do evento, é bom ser rápido pois costuma esgotar rapidamente.

Endereço: Largo de São Sebastião – Rua 10 de Julho, Centro
Tel: 92 3232-1768/3622-1880
Visitação: Terça-feira a sábado – 9h às 14h
Idiomas: português, espanhol e inglês.
Agenda: http://www.cultura.am.gov.br/calendario/
Ingresso: R$ 20 por pessoa. Estudante, professor e militar tem direito a meia-entrada. A entrada é gratuita para pessoas nascidas no Amazonas que comprovem em documento

As visitadas guiadas duram, em geral, 1 hora. Visitas guiadas saem a cada 45 minutos.

Museu do Seringal Vila Paraíso

Por tratar de parte de grande importância para a história da região o Museu do Seringal faz parte da lista de lugares que todo amazonense e todo visitante precisa conhecer. Localizado no lago São João, o acesso se dá em lancha rápida em uma viagem de menos de 30 minutos. A lancha que vai ao museu, sai da Marina do Davi, localizada após a praia da Ponta Negra.

O museu foi construído, especialmente, para a produção do filme “A Selva” (2001) e o objetivo era que reproduzisse, fielmente, um seringal que existiu em Humaitá, no interior amazonense. Muitos seringais funcionaram na região e sobreviveram com a exploração de nordestinos, que fugiam de uma forte seca, em busca de trabalho e de uma vida melhor.

A visita ao museu começa pela casa do barão, construção mais luxuosa do local. Passa por uma casa de avivamento, onde os seringueiros compravam ferramentas e comida. Logo ao lado está uma capela onde, curiosamente, os seringueiros só podiam entrar pra rezar quando os donos dos seringais não estavam. O passeio por parte da história de Manaus passa também pela casa de banho das damas, pelo cemitério de seringueiros, casa de farinha e o tapiri, onde o látex era transformado em borracha.

Um dos pontos altos da visita é quando o guia extrai o látex da seringueira e nos mostra como os seringueiros produziam a borracha. Eles precisavam retirar dezenas das pequenas vasilhas para poder alcançar a meta da semana e na maioria das vezes não conseguiam.

Entrada: R$ 5,00
Lancha saindo da Marina do Davi: R$ 24,00 (ida e volta)
Horário de Funcionamento: 08:00 às 16:00

Praia da Lua

A Praia da Lua é um desses lugares que muita gente pode não valorizar por ser popular. Eu nunca tinha ido a Praia da Lua, até agosto de 2017 e, confesso, que no primeiro pôr do sol que assisti, me arrependi fortemente por nunca ter tido essa experiência antes. Ficar ‘de bubuia’ no Rio Negro com um lindo pôr do sol no final do dia é meu programa favorito, principalmente em tardes de calor (des)humano em Manaus.

Esse é um passeio bom, bonito e barato e que muitos manauaras fazem no final de semana. Nossa dica é ir em dias de semana porque é quase como se a praia fosse exclusiva. Para chegar na praia basta fazer uma viagem de, no máximo, 10 minutos em lancha rápida saindo da Marina do Davi.

A estrutura na praia é limitada e, infelizmente, não há muito investimento por parte do poder público, mas você encontra algumas barracas que vendem bebidas e comidas, além de aluguel de boias e pranchas para a prática de stand up. Para economizar, você pode levar sua bebida e comida, o acesso é livre, mas lembre de juntar o seu lixo, ok?

Preço: 12,00 (ida e volta)
Horário: As lanchas começam a sair a partir das 08h da manhã da Marina da Glória. O horário de saída da última lancha, de volta pra Manaus, é às 18h
Linhas de ônibus para a Marina do Davi: 120 e 126

Mercado Adolpho Lisboa

O Mercado Adolpho Lisboa é um dos principais patrimônios históricos da cidade, faz parte das obras da época áurea da borracha e, infelizmente, eu não cheguei a conhecer sua construção original. O mercado fechou para reforma em 2006 e só reabriu em 2013.

Hoje, o mercado é um dos lugares mais visitados por turistas que compram uma variedade de produtos regionais e artesanatos. É bonito, ícone da arquitetura do ferro no Brasil, organizado e limpo. A única reclamação fica por conta de de que os preços costumam ser mais elevados, afinal, é o mercado dos turistas.

Dentre as curiosidades da visita ao “novo Adolpho Lisboa” destaca-se o detalhe da arquitetura do mercado feito com a chamada “pedra jacaré”, esculpida a mão, que estava encoberta por argamassa e o sino que estava enterrado. Esses detalhes foram descobertos pelos operários que trabalharam por anos na restauração do mercado. O mercado foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional por ser um dos principais exemplares da arquitetura de ferro no mundo.

Sempre que vou ao Mercado Adolpho Lisboa é para comer um x-caboquinho pela manhã ou um jaraqui frito no almoço e, depois, seguimos para a Feira da Manaus Moderna, que fica ao lado e é um dos lugares que eu mais gosto de mostrar em Manaus – te digo mais abaixo, tá mano!

Endereço: R. dos Barés, 46 – Centro, Manaus – AM, 69079-270
Horário de Funcionamento: 06:00 às 18:00
Telefone: (92) 3234-8441

Feira da Manaus Moderna

Antes de escrever esse post e sair visitando os lugares, fiz uma pesquisa sobre cada um deles. Aprendi um pouco de história com cada um e, com a Feira da Manaus Moderna, não foi diferente. Você sabia que antes dessa feira “moderna” e em terra firme existir, as feiras da região eram em flutuantes? A “Cidade Flutuante”, com todo tipo de comércio, era fruto da decadência da borracha e existiu de 1925 a 1967, quando foram expulsos pelo Poder Público. Alguns feirantes persistiram, nas ruas, até 1994 quando foi inaugurada a Feira da Manaus Moderna.

Eu disse que essa feira é um dos lugares que eu mais gosto de mostrar em Manaus, não menti. Eu sempre levo meus amigos primeiro ao Mercado Adolpho Lisboa que é lindo, limpo, organizado e depois à Feira da Manaus Moderna, é uma forma de mostrar a realidade manauara pra quem vem de fora.

Um lugar escuro, aparentemente sujo, desorganizado e com o mínimo de investimento do poder público, mas que todos os dias centenas de manauaras visitam para comprar peixe, açaí, farinha, frutas, legumes e hortaliças. É triste ver tanto descaso com um lugar que oferece o alimento nosso de cada dia e representa muito no nosso dia-a-dia.

Casas mais antigas de Manaus

Esses dias comentei com uma amiga, turismóloga, que estava escrevendo essa matéria sobre Manaus e ela me falou de um lugar que eu não conhecia onde se localizam as casas mais antigas de Manaus. Fiquei muito curiosa e fui conferir.

As casas 77 e 69 ficam na rua Bernardo Ramos, no centro antigo da cidade, são de estilo colonial e datadas de 1819. Fazem parte da história de Manaus. Já foram escritório de contabilidade e bar, hoje, a Prefeitura de Manaus está reformando os dois imóveis para que em breve a sociedade e os turistas conheçam um pouco mais do nosso patrimônio histórico.

Endereço: Rua Bernardo Ramos, Centro, Números 69 e 77

Antiga Zona Franca

Você já deve ter usado, ou ao menos escutou, a expressão “antiga Zona Franca” para se referir à rua Marechal Deodoro e adjacências, no centro da cidade. Lembro que a professora de Geografia chegou a falar disso na sala de aula, mas só quando me tornei adulta é que me interessei, de fato, pelo uso da expressão.

Meu pai, historiador por formação, me conta que em um passado não tão distante, a Zona Franca de Manaus foi regulamentada pelo Decreto-Lei no 288/67 que abriu o mercado de importação para a capital, isentando-a dos altíssimos impostos aplicados na época.

Compradores de todo o país desembarcaram em Manaus para as compras e circulavam pelas ruas do centro, naquilo que era conhecida como a Zona Franca. Até que um dia o comércio ao exterior foi aberto e o sonho acabou.

Hoje, a área continua sendo de livre comércio, mas sem o ‘glamour’ de décadas atrás. Dominado por chineses e preços pouco atrativos, a área é mais uma parte da história da capital. É fácil caminhar por ali e imaginar como eram as coisas alguns anos atrás. Aos nossos pais e avós, só restam as memórias e as histórias pra contar de uma época dourada do comércio manauara.

MUSA – Reserva Florestal Adolpho Ducke

O Musa é um museu vivo. Com mais de 100 hectares e com milhares de espécies vivas sendo estudadas há anos. O Musa faz parte da lista de lugares que te levam para dentro da floresta amazônica sem sair da grande metrópole que é Manaus. Na zona leste da cidade essa tem sido uma ótima opção de lazer para manauaras e visitantes.

O museu possui diversos atrativos entre exposições, viveiro de orquídeas e bromélias, lago, aquários e laboratórios experimentais de serpentes, de insetos e de borboletas. Dentre as principais atrações no museu está a torre de 42 metros que permite uma vista espetacular da floresta. Sem dúvida, essa é a atração preferida dos visitantes, especialmente, para o nascer do sol.

Endereço: Av. Margarita (antiga Uirapuru), s/n Cidade de Deus – Manaus, AM
Horário de Funcionamento:

  • Diariamente (exceto quartas-feiras), das 8h30 às 17h(o portão de entrada fecha às 16h)
  • Quartas-feiras somente por agendamento

Preço: R$ 10 visitas guiadas; R$20,00 para subir a torre.
Meia-entrada: estudantes, idosos brasileiros e participantes do Programa Nosso Musa*

* O Programa Nosso Musa contempla os moradores de Manaus que apresentarem identidade e comprovante de residência.