ONU pede fim dos ataques contra civis na Síria após bombardeios do regime em reduto rebelde

A ONU pediu o fim imediato dos ataques contra civis na Síria depois dos bombardeios do regime contra Guta Oriental, um reduto rebelde perto de Damasco, que mataram mais de 100 pessoas, incluindo 32 crianças.

Ao menos 45 civis, sendo 12 crianças, morreram em novos ataques aéreos das forças pró-governo realizados nesta terça-feira, 20, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), no terceiro dia consecutivo de bombardeios.

Na véspera, foram 100 civis mortos, incluindo 20 crianças, de acordo com a ONG, no ataque mais violento registrado até o momento contra Guta Oriental, onde quase 400 mil pessoas vivem cercadas e em péssimas condições.

Os hospitais de várias cidades da região estavam lotados e suas equipes sobrecarregadas. Os ataques, que também deixaram 450 feridos, são parte da ofensiva do regime para reforçar suas posições ao redor de Guta Oriental, o que permite prever uma iminente operação terrestre.

Nas últimas horas, os ataques aéreos e de artilharia prosseguiam contra várias cidades da região, cercada desde 2013 pelo regime e a qual sofre com a escassez de alimentos e outros produtos.

A oposição no exílio denunciou uma “guerra de extermínio” e criticou o “silêncio internacional” a respeito dos “crimes” do regime de Bashar Assad na guerra que começou há quase sete anos.

Os bombardeios contra civis “têm de parar imediatamente”, afirmou o coordenador da ONU para a Ajuda Humanitária na Síria, Panos Moumtzis.

“É imperativo pôr fim imediatamente a este sofrimento humano insensato”, afirmou Moumtzis em um comunicado. “A recente escalada de violência agrava uma situação humanitária que já é precária para os 393 mil habitantes de Guta Oriental, onde muitas pessoas estão deslocadas”, explicou o coordenador da ONU.

Sofrimento

Em um necrotério de Duma, uma das cidades de Guta Oriental, Nidal chora perto do corpo de sua filha Farah. Outros pais procuram em hospitais improvisados por seus filhos, vivos ou mortos. Um homem passa mal ao encontrar o filho recém-nascido sob uma manta repleta de sangue.

Em Hamuria, civis aterrorizados tentam escapar dos ataques. “Temos apenas a misericórdia de Deus e nossos porões, onde nos escondemos”, disse Ala Al Dine, morador da cidade.
Em um comunicado, a coalizão opositora acusa a Rússia, aliada do regime de Damasco, de tentar “enterrar o processo político” que busca uma solução para a guerra, que desde 15 de março de 2011 deixou mais de 340 mil mortos.

No dia 5 de fevereiro, o regime lançou uma ofensiva aérea de intensidade sem precedentes na zona. Em cinco dias, deixou 250 civis mortos e centenas de feridos. Damasco quer recuperar esta área para colocar um fim nos disparos de morteiros e foguetes dos rebeldes na direção da capital.

A guerra na Síria, que começou com a repressão brutal de manifestações que pediam reformas, se tornou um conflito extremamente complicado com o envolvimento de grupos jihadistas e potências regionais e internacionais.

Paralelamente, na região de Afrin, noroeste do país, a Turquia executa desde 20 de janeiro uma ofensiva contra uma milícia curdo-síria, as Unidades de Proteção Popular (YPG), a qual considera um grupo “terrorista”. / AFP