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ONU relaxa sanções, e Médicos sem Fronteiras voltam à Coreia do Norte

A ONU aprovou nesta semana cinco novas exceções para sanções sobre a Coreia do Norte, que vão permitir que a organização humanitária Médicos sem Fronteiras volte a atuar no país após quatro anos de ausência.

Impostas por vários países e blocos com mais intensidade a partir de 2017, durante a escalada nuclear promovida pelo ditador Kim Jong-un, as sanções não impedem diretamente ajuda humanitária, mas vinham dificultando sua atuação por proibir remessas de dinheiro e entrada de equipamentos, remédios e alimentos.

Após os primeiros movimentos de distensão entre a Coreia do Norte e rivais como a Coreia do Sul e os Estados Unidos, diplomatas e políticos sul-coreanos e europeus passaram a se declarar favoráveis a um relaxamento nos bloqueios que atingem os norte-coreanos.

As novas exceções, que têm duração de seis meses, liberam a passagem de medicamentos e insumos para tratar doenças crônicas e desnutrição grave.
Cinco entidades de ajuda humanitária foram beneficiadas, entre elas a Médico sem Fronteiras. Com elas, chegam a 20 as exceções decretadas pela ONU neste ano.

A medida é considerada importante para tentar conter um aumento no número de casos de tuberculose resistente a drogas, principalmente nas províncias do norte do país, mais pobres e com menor padrão de nutrição.

Entidades como a francesa PUI e a canadense FSHS relatam casos de desnutrição grave em berçários e jardins da infância em regiões mais pobres do país, segundo a agência de notícias especializada NK News.

Em fevereiro, o governo reduziu a distribuição de alimentos, atribuindo a escassez a problemas climáticos. Nos últimos anos, Kim Jong-un, que assumiu a ditadura do país após a morte de seu pai em 2011, vem tentando reformar o sistema de produção norte-coreano com medidas pró-mercado, para aumentar o incentivo e a produtividade tanto na área agrícola como na industrial.

As entidades conseguiram permissão da ONU para importar latas de leite de soja, que são distribuídas para as escolas.
Desde o final de 2017, entidades de ajuda humanitária afirmavam que os bloqueios comerciais estavam agravando a situação dos norte-coreanos mais pobres.

Segundo organismos internacionais, a situação de cerca de 70% da população norte-coreana pode ser classificada como de “insegurança alimentar” (o que indica ameaça constante de fome) e 25% das crianças apresentam problemas no crescimento.