Ópera barroca ganhou palco do Teatro Amazonas nesse domingo

Com direção musical e regência do maestro Marcelo de Jesus, a ópera barroca baseada em um mito grego, foi apresentada nesse domingo, (13), em um formato especial no 21º Festival Amazonas de Ópera (FAO). A obra de Georg Friedrich Händel, de 1718, foi apresentada às 19h.

De acordo com Marcelo de Jesus, que também é diretor artístico adjunto do festival, a obra não é comum nos repertórios das orquestras do País, devido aos desafios de se realizar a ópera barroca. O maestro explica que para a ópera de Händel será proposto um laboratório, traduzindo a obra para os dias de hoje.

“É impossível fazer uma leitura de época, porque teríamos que ter os instrumentos de época. Mas faremos algo que ainda é muito novo, que é realizar a música barroca com instrumentos da atualidade”, diz. “Ao mesmo tempo, teremos algumas novidades, como o músico Anderson Lima, que tem um grupo de música barroca na Argentina, e trará para o festival um arquialaúde e uma guitarra barroca”, revela.

Pela dificuldade técnica exigida pela obra, o maestro revela que a ópera é uma das mais ensaiadas do 21º FAO. “Em comparação com ‘Faust’, que teve mais de 80 pessoas no fosso da orquestra, ‘Acis’ terá apenas 13 pessoas. A música barroca é muito refinada e artesanal e exige muito preparo para se alcançar a excelência. Por isso estamos propondo um laboratório de ópera barroca”, ressalta.

O enredo da ópera conta, em dois atos, a história da ninfa semi-divina Galatea, que se apaixona pelo pastor Acis. Porém, o ciclope Polifemo, por sua vez encantado com a ninfa, assassina brutalmente o pastor, que é imortalizado em um riacho pelos poderes de Galatea. Para incentivar ainda mais a imersão do espectador do 21º FAO, o cineasta Sérgio Andrade foi convidado para a concepção cênica da obra, que envolveu achar similaridades entre as mitologias grega e amazônica.

“Para aproximar mais o espectador deste terreno da música barroca, o Sérgio Andrade fez uma transcrição destes mitos para o amazônico. Os mitos têm similaridades, pois fazem parte do inconsciente coletivo da humanidade, então conseguimos encontrar estas identificações e adaptar os personagens. Polifemo vira Mapinguari, o ciclope amazônico; Galatea é Iara, sereia e deusa indígena; e Acis é um ribeirinho, que trabalha com juta. Esta adaptação ocorreu de forma bem natural, se encaixando na obra”, explica Marcelo de Jesus.

O elenco conta com o tenor Anibal Mancini, como Acis; a soprano amazonense Amanda Aparício, como Galatea; o baixo Murilo Neves, como Polifemo; e a também soprano amazonense Mirian Abad, como Damon. Pela primeira vez num papel de protagonista no FAO, a solista Amanda Aparício afirma que o público vai se encantar pela história da ninfa semi-deusa que se deixa apaixonar por um mortal.

“Foi desafiador e emocionante interpretar Galatea, que se mostra determinada em amar o pastor apesar de todos os empecilhos que tentam separá-los. As músicas são extremamente lindas e acompanham um enredo cativante e tenho certeza que, junto às referências da nossa mitologia, o público vai se apaixonar pela ópera”.

“Acis and Galatea” terá reapresentações nos dias 17 e 19 de maio, às 20h, no Teatro Amazonas.

Ficha Técnica

Acis – Anibal Mancini (tenor)

Galatea – Amanda Aparício (soprano)

Polifemo – Murilo Neves (baixo)

Damon – Mirian Abad (soprano)

Corpos artísticos: Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas, Coral do Amazonas, solistas do Madrigal Ivete Ibiapina e Orquestra de Câmara do Amazonas

Direção Musical E Regência: Marcelo De Jesus

Concepção Cênica: Sérgio Andrade

Direção Cênica: Julianna Santos

Cenografia: Giorgia Massetani

Figurinos: Laura Françoso

Desenho De Luz: Humberto Hernández

Coreografia: Tindaro Silvano

Serviço

O quê: Estreia da ópera “Acis and Galatea”.

Quando: Domingo (13), às 19h.

Onde: Teatro Amazonas – Avenida Eduardo Ribeiro, 659, Centro.

Entrada: Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do Teatro Amazonas e no site www.aloingressos.com.br, com valores que vão de R$ 5 a R$ 60.