Operação “Abafa o Caso”

Por causa das declarações que teriam sido dadas por, pelo menos um (que se tenha conhecimento) dos empresários intimados a depor na CPI da Câmara de Coari, instalada para apurar indícios de superfaturamento e desvio de recursos públicos nos contratos da Prefeitura com empresas, o Radar bem que tentou contato com vereadores daquele município, pelo telefone – vereadores Natinho, Deca, Clodair, Adnamar….Ou dava fora de área, ou não atendiam ao telefone. Mas, como nosso Radar é brasileiro, não desiste nunca, passamos a insistir nas tentativas de contato, mas desta vez, para telefones da Câmara Municipal de Coari. A resposta dada, em todos os casos, por quem atendeu os telefonemas, foi sempre a mesma: os vereadores estão para Manaus. Mas, o que estariam fazendo aqui em Manaus, todos ao mesmo tempo? Uma fonte do Radar em Coari deu a seguinte resposta: “Eles foram convocados para uma reunião com o vice-governador José Melo. E o que corre por toda a cidade é que a reunião tem a ver com o relatório final da CPI onde já haveria provas de superfaturamento, e de que essas empresas não estariam recebendo os valores que estão nos contratos”. Segundo ele, o vice-governador estaria se encarregando pessoalmente da Operação “Abafa o caso” ou, melhor dizendo, “Abafa CPI”.

Já sabia

E diz o parceiro do Radar em Coari, que um dos veículos de comunicação de Manaus já sabia de parte do relatório da CPI da Câmara Municipal de Coari, exatamente onde o empresário contou que o valor do contrato celebrado com a Prefeitura de Coari era um, e o pagamento realmente feito à empresa prestadora de serviço era outro. As declarações contando o que estava no relatório teriam sido dadas pelo próprio presidente da CPI, vereador Natinho. Mas, nem uma linha do que o vereador disse veio a público. Não precisa nem explicar o que aconteceu nesse caso do “abafa” na imprensa, não é mesmo?

Abafar? Nunquinha!

Mas, aqui no Radar não tem nada de abafa, não! Desde que os irmãos do interior descobriram o Radar, temos captado suas dores e dado a eles pelo menos o direito de falar, já que estão amordaçados.  Será que ninguém vê o que está ocorrendo no interior do Estado? Seres humanos estão sendo massacrados por uma miséria criada por prefeitos e ex-prefeitos que vão além da questão de meros erros administrativos. A esses caras falta até sentimento de humanidade. Onde está o Deus que eles vivem alardeando? Como pode tirar dinheiro da merenda escolar de crianças, desviar recursos do transporte escolar, da compra de medicamentos, da reforma de escolas de madeira, das necessidades mais básicas de outras pessoas, principalmente de crianças e idosos? Alguém quer me dizer como esses caras conseguem dormir? Ou encarar seus filhos sem sentir vergonha?

Quer um exemplo?

Na cidade mais rica do interior do Amazonas, a segunda maior arrecadação do Estado, perdendo apenas para a capital, Manaus, lá em Coari, a merenda escolar que foi repassada para cada uma das escolas, no final do mês de setembro, para alimentar as crianças durante o mês de outubro, corresponde a uma mísera cesta básica, onde há apenas um quilo de açúcar. Dá pra alguém “abafar” também a fome das nossas crianças no interior?