Operação Cashback: prisões e desvio de mais de R$ 140 milhões na Saúde (ver vídeo)

O delegado da Polícia Federal, Alexandre Teixeira, informou, nessa quinta-feira (11), que o Grupo Bringel recebeu mais de R$ 550 milhões em um único contrato firmado com o Governo do Estado com vigência de 12 anos. Deste valor, foi identificado fraude em aproximadamente R$ 140 milhões. O dono do Grupo Bringel, Sérgio Roberto Melo Bringel, foi preso durante a Operação Cashback, deflagrada nesta quinta-feira.

O contrato foi firmado via Instituto Novos Caminhos para prestação de serviços de esterilização. “A Controladoria Geral da União (CGU), realizando um trabalho especificamente analisando um contrato de esterilização com uma das empresas do Grupo (Bringel) identificou inúmeros indícios de irregularidades que apontam, também, para a prática de crimes”, disse o delegado.

As declarações foram dadas na manhã desta quinta-feira, durante coletiva de imprensa para apresentação dos resultados da Operação Cashback – 4° fase da operação Maus Caminhos – , deflagrada desde às 6h, para investigar a prática de crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com o superintendente da PF, Alexandre Saraiva, a operação investiga o desvio de recursos públicos destinados à Saúde.

“Foi um trabalho desenvolvido em parceria com a CGU e MPF, cada um dentro das suas atribuições e outras fases, talvez, venham a acontecer a depender da análise do material apreendido hoje. Vamos utilizar todos os recursos disponíveis para que todos os responsáveis pelos desvios de recursos públicos da Saúde no Amazonas sejam identificados”, disse o superintendente.

Foram cumpridos 10 mandados de prisão temporária e 40 mandados de busca e apreensão cumpridos em diversas zonas de Manaus, além de mandados de bloqueios de contas e de sequestro de bens móveis e imóveis, expedidos pela Justiça Federal, após manifestação do Ministério Público Federal (MPF). Há 6 mandados ainda em cumprimento.

Entre os investigados estão o empresário e irmão do senador Omar Aziz (PSD), Murad Aziz, o advogado e ex-diretor-presidente da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), Lino Chíxaro, e o empresário e dono do Grupo Bringel, Sérgio Roberto Melo Bringel. (Veja a lista de presos no fim da matéria)

O ex-deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB) também é um dos alvos da Operação. Mas, segundo o delegado da PF, Alexandre Teixeira, Sabino não foi preso por conta de sua condição de saúde: ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), em 2017, e segue em tratamento em um hospital particular, em São Paulo.

Segundo a Polícia Federal, Lino Chíxaro e Murad Aziz vendiam influência e auferiram lucro que era retirado da atividade ilícita. “Eles operavam de forma que o esquema pudesse existir e se manter”, disse o delegado.

De acordo com o delegado, empresas do Grupo Bringel emitiram R$ 100 milhões em notas fiscais frias identificadas pela Receita Federal. “Isso gera um impacto muito grande no recolhimento de impostos e outros crimes que podem estar encobertos por essas práticas”, disse o delegado federal Alexandre Teixeira.

Nesta fase da operação são investigados crimes de peculato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude em licitações, pagamentos superfaturados e tráfico de influência. Ao todo, devem ser bloqueados cerca de R$ 40 milhões de acordo com o crime que cada investigado é acusado.

Mandados de prisão

Prisão preventiva

Lino José de Souza Chíxaro

Murad Abdel Aziz

Sérgio Roberto Melo Bringel

André Luis Barreto Becil

Josenir Teixeira

Keytiane Evangelista de Almeida

Prisão temporária

Mouhamad Moustafá

Daniel Roger Goulart Silva

Edson Tadeu Ignácio

Jade Helker Pinto

Jonathan Queiroz da Silva

Márcio Rogério da Silva

Marco Antônio de Jesus Barbosa