Orçamento 2017: Melo reduz R$ 332 milhões da saúde e aumenta R$ 200 milhões para a secretaria do irmão

jose-melo-e-evandro-meloA grande maioria dos deputados governistas “comeu abiu” ao ouvir as críticas que, como de costume, só vêm de deputados da oposição. Os governistas, maioria quase que absoluta na Casa Legislativa, ficaram sem justificativas para a principal razão da bronca dos parlamentares oposicionistas. Tais críticas vem do fato de que no projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2017, o governo do professor José Melo reduz em 15% os recursos para a Secretaria de Estado da Saúde (Susam), ou seja diminui em R$ 332 milhões a verba da saúde pública e determina um aumento da ordem de 10% numa pasta burocrática, a Secretaria de Estado de Administração e Gestão (Sead), que deve passar de R$ 1,819 bilhão (2016) para R$ 2,003 bilhões (2017). Vale ressaltar que a Sead tem como secretário o irmão do governador José Melo, Evandro Melo

“Muito me espanta, muito me admira o Governo do Estado sabendo o caos que vive a saúde no Amazonas, sabendo a situação de falta de atendimento, falta de medicamentos, falta de pagamento de funcionários, enviar uma Lei Orçamentária Anual onde é cortado da saúde mais de R$ 300 milhões. Soa até ridículo essa proposta do Governo. Isso é uma falta de respeito com o povo do Amazonas”, disparou a deputada oposicionista.

Transformando suas críticas em números, a parlamentar lembrou que, em 2016, a Susam contou com R$ 2,197 bilhões de orçamento, valor que deve cair para R$ 1,865 bilhão no próximo ano. São R$ 332 milhões a menos, sem contar a inflação, de cerca de R$ 6%. Em contraponto aos cortes na saúde, o Governo propõe um aumento da ordem de 10% numa pasta burocrática, a Secretaria de Estado de Administração e Gestão (Sead), que deve passar de R$ 1,819 bilhão (2016) para R$ 2,003 bilhões (2017).

Alessandra propôs a convocação dos técnicos do Governo para explicarem em audiência pública na Casa Legislativa os cortes previstos no orçamento de 2017. Nem mesmo a pasta de Esportes, Lazer e Juventude (Sejel) escapou da “tesoura” da equipe do governador José Melo, caindo de R$ 39 milhões (2016) para R$ 25 milhões (2017) – uma perda de 34% do orçamento.

“É um verdadeiro absurdo. Tirar dinheiro do esporte não vai resolver o problema econômico do Estado, mas com certeza vai causar muitos prejuízos ao esporte comunitário e aos atletas do alto rendimento”, concluiu Alessandra.

Governo Perverso

Para o deputado Luiz Castro, o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA/2017), expõe o lado perverso do Governo de Melo – só me fez lembrar do mote de campanha eleitoral do governador que se auto denominava bom e humilde filho de seringueiro. Luiz Castro criticou duramente o corte nos recursos da saúde pública, da assistência social, do meio ambiente e de órgãos vitais para o desenvolvimento da agricultura no Amazonas. “Os burocratas resolveram tirar R$ 331 milhões da Saúde, que já enfrenta deficiências e salários atrasados”, criticou o deputado.

O deputado destacou que, no orçamento da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Seas), a Loa prevê o corte de 16,8%, o equivalente à redução de R$ 4,8 milhões nas ações de atendimento a crianças, adolescentes e idosos.

Presidente da Comissão do Meio Ambiente, Luiz Castro também apontou incoerência no corte de 35,72% da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), que corresponde a menos 21,1 milhões para aplicação nos programas ambientais. “O governo fala em implantar uma matriz ambiental, mas corta os recursos do meio ambiente”, observou.

Outra área que sofreu cortes foi a Secretaria de Produção Rural (Sepror). A LOA prevê a redução de 21,2% nos órgãos de produção, o que equivale a 25,7 milhões a menos nas ações de fomento da agricultura. O corte na produção, segundo Luiz Castro, inviabiliza os programas de assistência à agricultura e a permanência dos trabalhadores no interior. “O Governo fomenta o êxodo rural, empurrando as famílias de agricultores para a periferia de Manaus, enfrentando o desemprego e a marginalidade”, afirmou. (Any Margareth)