Organização criminosa que desviou dinheiro da saúde tinha “braço armado” formado por policiais civis e militares

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Durante a apresentação da denúncia feita à Justiça de 16 pessoas acusadas de envolvimento no esquema de desvio de recursos do sistema de saúde pública do Amazonas, o procurador da República, Alexandre Jabur disse, em coletiva de imprensa, que “como acontece em toda organização criminosa” o grupo chefiado por Mouhamad Mustafá tinha um “braço armado formado por policiais civis e militares arregimentados pelo coronel PM Aroldo”. O coronel Aroldo Ribeiro foi subcomandante da PM durante a campanha eleitoral de 2014 e é apontado nas investigações da PF como um dos oficiais que orquestraram o uso da aparato de segurança do Estado na campanha à reeleição do governador.

Segundo o procurador, foi identificado que, por meio do uso de policiais civis e militares, essa organização se protegia e ao mesmo tempo usava esses policiais para atividades ilícitas, como transporte de dinheiro sacado em instituições bancárias – não preciso nem dizer que isso me fez lembrar a denúncia de compra de votos nas eleições de 2014, né gente? Um desses saques, realizado pela organização, atingiu o montante de meio milhão de reais e foi flagrado pela Polícia Federal.

Os policiais civis militares, conforme declarações do procurador também eram usados para escolta particular de Mouhamad Mustafá, de seus familiares e de membros do grupo criminoso que desviava dinheiro da saúde. “E até tivemos notícia da existência de tortura de um membro da organização, um contador, que havia roubado algum dinheiro da organização e o empresário líder da organização, Sr Mouhamad Mustafá, utilizou, portanto, esses policiais para que esse indivíduo confessasse essa dívida, esses valores desviados”, contou o procurador.

Ele explicou que a questão da ação criminosa dos policiais vai ser tratada em um outro processo. “O importante é que foram identificados e que vão ser representados junto à Corregedoria do Estado e podem vir a sofrer ações penais caso sejam identificadas condutas graves como essa de tortura. (Any Margareth)