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Orquestra Experimental encanta público com “A Flauta Mágica”, no Teatro Amazonas

Para o público, não houve diferença entre uma orquestra jovem, que se preparou durante três meses para apresentar a “A Flauta Mágica”, e uma experiente, na noite deste domingo (5). Ao final da ópera, em formato de concerto, as mais de 670 pessoas presentes no Teatro Amazonas aplaudiram intensamente, e de pé, a Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica, concedendo um selo de aprovação especial aos jovens músicos.  O evento foi realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). 

A Orquestra Experimental se juntou ao Coral do Amazonas para apresentar uma versão reduzida da ópera de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), com duração de pouco mais de uma hora, neste domingo. Apesar de uma versão mais breve dos dois atos que compõem a obra, o público não deixou de se encantar com a sinfonia e os solistas. 

A conhecida ária da Rainha da Noite, interpretada pela soprano Kátia Freitas, arrancou elogios da plateia, assim como os solos das Três Damas, interpretadas por Dhijana Nobre, Thalita Azevedo e Marinete Negrão. 

O maestro Marcelo de Jesus, que regeu o concerto, destacou mais uma vez o quanto a “A Flauta Mágica” tornou-se popular no Amazonas e relevância de continuar apresentando a obra. 

“Tivemos um público caloroso, diversificado, famílias e crianças que reagiam aos solos, como o da Rainha da Noite. Então, é muito importante para nós representarmos a ópera para atingir um novo público e, aí, ela mesmo se renovar”, comentou. 

Sobre a apresentação da Orquestra Experimental, o maestro ressaltou a importância dos jovens músicos se apresentarem com os solistas. “Quando você está com o cantor você tem que acompanhá-lo, então varia de acordo com as frases, com a respiração e etc. Isso é interessante para uma orquestra jovem notar que a música é fluída, é preciso adaptação, e eles ganham experiência com isso”, pontuou De Jesus.

Encontro de gerações no palco

O violinista Bogdan Hudzelaits, de 16 anos, integrante da Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica, contou que o trabalho de ensaio para a “A Flauta Mágica” garantiu que a ópera fosse apresentada com sucesso. “Estamos ensaiando em duas etapas: para a comemoração de 10 anos de aniversário da Orquestra Experimental e para ópera deste domingo. Foi um pouco apertado, mas deu certo”. 

O jovem, que este ano foi um dos vencedores Concurso Jovens Solistas, em São Paulo, é fã de Mozart e assistiu a algumas vezes a ópera que ele mesmo apresentou neste domingo. A experiência de ser o protagonista em vez de espectador rendeu uma declaração direta e técnica do violinista da Orquestra Experimental. “Você consegue perceber detalhes diferentes. Ao tocar, você ouve outra obra”. 

Sob outra perspectiva, agora a de veterano, o barítono Josenor Rocha, que divertiu o público ao dar vida ao personagem Papageno, elogiou a apresentação da orquestra jovem e destacou sua alegria ao ver músicos formados no Amazonas realizando a ópera. 

“Eu fui do Coral do Amazonas, em 1981, então é sempre uma surpresa ver a evolução cultural. Não tínhamos orquestra, não tínhamos escola de canto, universidade de canto, então ver hoje a ópera no Teatro me alegra. Eu fiz parte da história”, disse Rocha, que se declara um especialista em Papageno, já tendo interpretado o personagem em diversas vezes. 

No total, “A Flauta Mágica” reuniu 677 pessoas no Teatro Amazonas. A entrada foi gratuita. 

A ópera

A ‘Flauta Mágica’ (Die Zauberflöte) teve sua estreia em 30 de setembro de 1791, em Viena. Composta em dois atos, a ópera tem libreto escrito por Emanuel Schikaneder, amigo de Mozart. 

Recheada de elementos filosóficos – a obra foi escrita na explosão da Revolução Francesa e dos ideais do Iluminismo – e cômicos, a Flauta Mágica é uma das obras mais sublimes de Mozart, por equilibrar o erudito e o popular. 

Os personagens foram todos interpretados por solistas dos Corpos Artísticos do Amazonas:  Tamino – Fabiano Cardoso (tenor), As Três Damas – com as sopranos Dhijana Nobre, Thalita Azevedo e a contralto Marinete Negrão,  Papageno – Josenor Rocha (barítono), Rainha da Noite – Kátia Freitas (soprano), Sarastro – Emanuel Conde (baixo),  Pamina – Tamar Freitas (soprano) e Papagena – Raquel Queiroz (soprano).

Fonte: Agência Brasil