Os incêndios invisíveis que destroem não só a floresta!

Muitas vezes, eu detesto esses meus sentidos aguçados de repórter que me fazem ver demais e ouvir demais, que me fazem captar mensagens que jamais serão ditas. Esse “poder” que tem o repórter de ver por trás das aparências é revelador, mas ao mesmo tempo, é extremamente doloroso. Um desses casos é o dos incêndios na Amazônia que vão muito além de atos criminosos de alguns empresários.

É doloroso ver que por trás desses incêndios está o presidente do Brasil que se valeu de mentiras para tentar desmoralizar uma instituição do nosso País, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que é respeitado mundialmente. Bolsonaro enganou a Nação dizendo não haver aumento de desmatamentos e queimadas, desqualificando os dados do INPE, exonerou o diretor do INPE (Ricardo Galvão), criando uma “cortina de fumaça” que iria esconder os atos criminosos de fazendeiros. Mas, a fumaça engolida por brasileiros do sul do País denunciou o que estava acontecendo.

E o pior dessa situação, é ver que parte do povo do meu País não se importa de ter um presidente que mente e tenta desqualificar instituições brasileiras. O mais desolador, além de ver a floresta virar cinza, é ver que muita gente no meu País concorda em destruir a floresta para colocar bois e soja em seu lugar, enriquecendo uns poucos, em detrimento de uma Nação que poderia ter a riqueza melhor distribuída explorando a biodiversidade da nossa floresta.

A Amazônia queima, mas não se engane, tem gente que aplaude. Os mesmos que aplaudem, são os mesmos que jogaram pedras de gelo nos artistas que estiveram esse final de semana no Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul, e decidiram protestar contra os cortes na educação, a censura e a favor da preservação da Amazônia. Esse é um Brasil que não suporta quem pensa ou age diferente.

Essa gente não vê nada demais em entoar palavras racistas ou homofóbicas em estádio, como aconteceu no jogo Vasco e São Paulo, em São Januário, não vê nada demais em Bolsonaro praticar nepotismo, colocar apaniguados em tudo que é órgão público, falar sobre merda, criar problemas internacionais tratando com desrespeito a mulher do presidente de um outro país, desrespeitar a Constituição que ele jurou “manter, defender e cumprir” no dia da sua posse.

Eles tudo podem porque são “cidadãos de bem” e o restante da população brasileira são cidadãos, nem de segunda, mas de terceira classe.

A Amazônia queima, mas queima também no meu peito uma profunda tristeza de ver e ouvir um Brasil que não existia nem nos meus maiores pesadelos.