Os milhões que a CPI da Saúde no Amazonas parece não ver!

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, instalada na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), para apurar supostos desvios de recursos do sistema de saúde pública do Amazonas, no período de 2011 a 2020, tem trazido à baila as estranhas relações – pra não dizer expressão bem pior – da empresa Norte Serviços Médicos Ltda com o governo do Amazonas.

Porém, a história pra lá de suspeita que envolve a contatação da Norte Serviços Médicos Ltda não se restringe ao governo de Wilson Lima. Mas, por motivos que os inteligentíssimos e perspicazes leitores do Radar devem bem imaginar quais são, há milhões de governo anterior ao de Wilson Lima, que a CPI da Saúde parece não ver.

A Norte Serviços Médicos Ltda ficou na mira da CPI da Saúde por ter sido contratada para lavar a roupa do Hospital de Campanha Estadual Nilton Lins. A empresa diz ter sido contatada para fazer tal serviço, mas o contrato não existe e sequer existe a efetiva comprovação de que o serviço foi prestado. A empresa insiste em dizer que lavou “toneladas de roupas” do hospital Nilton Lins e que ainda não recebeu pelo serviço.

Tudo é tão esquisito nesse caso da Norte Serviços que não se sabe até agora nem quem é de fato o proprietário da empresa. De direito, a Norte Serviços Médicos Ltda está no nome de Criselídia Bezerra de Moraes, mas em seu depoimento à CPI da Saúde, a mulher sequer sabia informações básicas sobre a empresa. Criselídia disse não se lembrar nem mesmo quando comprou a empresa por R$ 5 milhões – quem esquece quando gastou R$ 5 milhões gente!

E numa guinada esquisitíssima da CPI da Saúde, os parlamentares saíram retrocedendo anos e foram parar em 2017, na gestão interina de David Almeida no Governo, falando sobre o pagamento de exames que custaram pouco mais de R$ 800 mil. Mas, cadê o governo de Amazonino Mendes, em 2018? Pularam ele por quê?

Amazonino pagou, em um ano, para a mesma Norte Serviços Médicos R$ 7,8 milhões. Quer dizer que num tem nadica de errado nesses contratos de quase oito milhões? E cadê os processos indenizatórios de 2018, pagamentos que burlam o devido processo legal dos quais tanto os parlamentares da CPI da Saúde falam mal e fazem cara de nojo.

O que a CPI parece não vê, não escapa do nosso Radar!