Os patriotas e seus milhões de dólares investidos em paraísos fiscais

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Bem dizia minha semianalfabeta, mas sábia mãezinha: “o tempo é o senhor de todas as verdades”. E foi só deixar o tempo passar, a extrema direita chegar ao poder, com todos os seus espécimes machos, másculos, bem-nascidos, cidadãos de bem, que amam o Brasil acima de todos, para conhecermos melhor os ditos patriotas deste nosso Brasil varonil.

O tempo mostrou que os patriotas acham melhor investir milhões de dólares em empresas que, grande parte das vezes, são de fachada, só existem no papel e através de uma conta bancária. Os patriotas idolatram a Pátria Amada Brasil, mas querem ver seu rico dinheiro bem longe da turbulência da economia brasileira e nada de gastar gerando emprego e pagando imposto. Pagar imposto é coisa pra pobre, não por acaso quem paga mais imposto no Brasil.

E foi um desses patriotas, o ministro da economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, que deixou bem claro que economia boa pra ele é ter empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe. Sua empresa, a Dreadnoughts International, foi aberta numa conta de offshore, numa agência do banco Crédit Suisse, em Nova York, acumulando em meses a quantia de 9,55 milhões de dólares, o mesmo que 23 milhões de reais à época.

Mas, nos tempos atuais, com o dólar nas alturas, o “dinheirinho” de Guedes que está bem longe da Pátria amada já atingiu uma valorização de 51 milhões de reais. Deu pra entender agora porque Guedes disse que dólar em alta era bom? Ele ficou mais rico investindo seu “dinheirinho” lá fora e as empregadas domésticas pararam de ir pra Disney gastar seu “dinheirão” em terras estrangeiras.

Mas, explicam os patriotas, num há nada de ilegal em ter empresa em paraísos fiscais, mesmo você fazendo a política econômica que pode beneficiar a si mesmo. Afinal, todo patriota é um homem honesto, os desonestos são esses comunistas petralhas, que querem que o Brasil vire uma Venezuela.