Os tempos de Melo estão de volta!?!?

Pensei que as cenas mais descaradas de crime eleitoral que o Radar já tinha captado durante sua existência tinham sido nas eleições estaduais de 2014, campanha de reeleição do então governador José Melo. As cenas eram as piores possíveis, com mochilas de dinheiro sendo retiradas dos bancos, malotes de dinheiro indo parar no interior para a compra de votos, acerto com “xerifes” dos presídios pra fazer bandidos virarem cabos eleitorais e o uso do aparelho policial do Estado para amedrontar e obrigar eleitores a votar no professor – no dia da eleição, o Radar captou inclusive eleitores sendo levados pra votar em viaturas da polícia e os policiais esperando na porta da seção eleitoral.

E, a conclusão desta história, foi Melo ser eleito e todo mundo sabe o que veio depois… Lembrando de apenas um dos fatos dessa história que vai ficar marcado pra sempre nessa minha memória de repórter, assisti a morte de mais de cem pacientes renais crônicos enquanto dinheiro da saúde era gasto com ostentação de riqueza nas redes sociais do grupo que estava no poder.

Em 2014, a Justiça Eleitoral poderia ter reprimido imediatamente os crimes eleitorais, mas não o fez e o resultado foi uma administração pública desastrosa que trouxe sofrimento para o povo do Amazonas e que a população ainda teve que suportar por quase quatro longos anos.

Crimes eleitorais semelhantes, ou até piores, estão acontecendo em Coari, da forma mais descarada do mundo. O governador Wilson Lima trocou todos os ocupantes de cargos de comando na administração pública de Coari, até mesmo o comando da PM por aliados políticos. E, só agora, em contagem regressiva para o fim do seu mandato, decidiu aumentar o efetivo policial em Coari, mas não pra combater a violência, mas visivelmente pra estar a serviço dos seus interesses e do seu grupo político.

Programas do governo, pagos com dinheiro do povo do Amazonas, de todos os contribuintes que pagam impostos desde a compra dos alimentos da cesta básica até no litro da gasolina, viraram moeda de troca por voto. As cestas básicas e os cartões Auxílio Estadual de R$ 150,00 reais, chegam num barco que também é pago pelo governo de Wilson Lima com o nosso dinheiro. O contrato está lá no Site Transparência pra todo mundo ver, inclusive a Justiça Eleitoral.

Agentes do governo, alguns são políticos derrotados em eleições passadas no interior do Amazonas, viraram preenchedores de cadastros e entregadores de cartões de R$ 150 reais em ruas onde acabaram de passar as “caminhadas” do candidato do partido do governador, o Partido Social Cristão – Misericórdia Senhor do povo com um cristão desses no poder!

Não por acaso, logicamente, o candidato do governador em Coari é sobrinho de um dono de rádio, que também tem contratos milionários na educação e sabe lá mais por onde na gestão de Wilson Lima, tudo pago com dinheiro dos contribuintes, o Zé Povinho, que é quem mais paga imposto no Amazonas e no Brasil.

Quem sabe por isso, o tal dono de rádio tenha ataques apopléticos, com tremedeiras e convulsões, onde ele baba de raiva, atacando os adversários do governador e defendendo Wilson Lima e sua trupe.

Coincidentemente – será, meu povo? -, o ex-governador José Melo eis que surge numa entrevista com o mesmo dono de rádio, numa entrevista chorosa – mas não era de tristeza pelos pacientes renais que morreram sem assistência não! -, se dizendo injustiçado. Melo pretende se eleger deputado estadual nas próximas eleições.

Pelo jeito, a história se repete, seja aqui ou em Coari. Resta saber se a Justiça Eleitoral vai agir do mesmo jeito que em 2014.