Os vendilhões do templo

Reprodução Tv Senado

O título da matéria “CPI da Covid ouve reverendo que negociou vacinas em nome do governo” me fez, quase que imediatamente, fazer um trocadilho mental: “Amilton Gomes de Paula podia atuar em nome do governo e sabe-se lá mais de quem, mas não em nome de Deus.  O religioso Amilton Gomes de Paula, mais conhecido como “reverendo Amilton” é acusado de atuar numa negociação para intermediar a suposta venda de vacinas da AstraZeneca em que há suspeita de tentativa de superfaturamento e cobrança de propina.

E enquanto Amilton Gadelha fazia uma negociação bilionária de vacinas, milhares de pessoas no Brasil eram infectadas por coronavírus sem ter acesso ao imunizante. Hoje são mais de 558 mil mortos por Covid-19.

O reverendo Amilton é fundador e presidente de uma organização não governamental (ONG) – Secretaria Nacional de Assuntos Comunitários – que nunca atuou no ramo de compra e venda de vacinas, mas isso não impressiona já que a negociação de imunizantes no Ministério da Saúde do Governo de Messias Bolsonaro envolve desde Policial Militar (PM) até pastor evangélico.

Amilton Gomes de Paula aparece em fotos ao lado da pastora evangélica e ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e do filho do presidente da República, o senador Flavio Bolsonaro. As investigações da CPI da Covid, do Senado Federal, apontam que o reverendo teria participação em possíveis ilegalidades na negociação de 400 milhões de doses da AstraZeneca com o Ministério da Saúde em nome da empresa Davati, mesmo a empresa não tendo autorização do laboratório para ofertar e fornecer vacina.

Além da tentativa de venda da AstraZeneca para o governo federal, a CPI da Covid teve acesso a mensagens que mostram a ONG do reverendo oferecendo doses de vacina para algumas prefeituras e Estados, por um preço acima do cobrado no mercado.

E, assim como fizeram outros depoentes na CPI da Covid, inclusive membros do Governo de Messias Bolsonaro que ganhou uma eleição usando parábola da Bíblia sobre a verdade que liberta, o reverendo compareceu ao Senado Federal munido de um habeas corpus pra não ser obrigado a dizer a verdade ou quem sabe ser preso por mentir à CPI.

E, por falar em parábola bíblica, acho essa situação muito parecida com a passagem bíblica dos Vendilhões do Templo, onde Jesus Cristo expulsa a chicotadas do Templo de Jerusalém os vendedores e cambistas, acusando-os de transformar o local sagrado numa cova de ladrões através de suas atividades comerciais.

E, tenho a certeza, que Jesus Cristo se aqui estivesse castigaria na base do chicote os homens que usam a palavra de Deus e sua posição religiosa para fazer negociatas ao invés de salvar a vida do próximo.