Pacientes reclamam que continuam sofrendo com a falta de remédios na Cema

O idoso Hygino Bom Neto, de 70 anos, portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), está há pelo menos cinco meses sem receber o remédio Spirivina, usado para controlar tosse, catarro e falta de ar, que deveria ser fornecido gratuitamente pela rede pública de Saúde via Central de Medicamentos (Cema).

“Isso é um absurdo. Desde 2018 já faltavam vários medicamentos, mas nos últimos meses piorou de vez com a atual gestão. Eu e muitas pessoas doentes precisamos do remédio, dependemos disso para viver, mas não conseguimos porque nunca tem no estoque da Cema”, relata o idoso. “E você ‘morre’ ligando para os contatos da Central de Medicamentos e ninguém atende o telefone para dar uma satisfação”, completou.

Segundo ele, outro remédio chamado Alena também está em falta e vem sendo substituído por técnicos da Cema por um medicamento similar, mas a troca não gera o mesmo efeito para os pacientes. “Eles estão distribuindo o genérico Formoterol que é mais barato e inferior a ação da Alenia. Para se ter uma ideia, tenho que usar quatro vezes ao dia o Formoterol enquanto o outro apenas duas”, explicou.

Alto custo

Com a falta da medicação que deveria ser fornecida pelo Governo, os pacientes têm que arcar com as despesas para comprar os medicamentos. Segundo Hygino, a Spirivina custa, em média, R$ 315 e a Alena custa, em média, R$ 215 em outras farmácias.

“Acabo pagando mais barato que esses valores porque sou cadastrado em um programa de descontos, mas sou obrigado a comprar para não passar mal”, reclamou o idoso.

Procurada pelo Radar para esclarecer as denúncias, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.