Pacientes renais crônicos apelam a Braga em busca de ajuda

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Um grupo de Associação dos Pacientes Renais Crônicos do Amazonas (Arcam) esteve reunido com o senador Eduardo Braga (PMDB/AM) para pedir ajuda em virtude dos problemas enfrentados por eles para receberem tratamento de saúde pública no Estado.

De acordo com levantamento realizado pela Arcam, em 5 meses, 150 pacientes renais já morreram, no que eles chamam de fila da morte. Segundo eles, agora começam a morrer pacientes já transplantados por falta de manutenção, falta de exames e remédios.

Segundo os representantes da Arcam, embora a Central de Medicamentos (CEMA) sempre informe que possui os remédios, quando os pacientes chegam lá, se deparam com a real e frustrante realidade: não tem remédios.

Os medicamentos em falta no CEMA são muito caros, o que impossibilita a grande maioria dos pacientes de comprá-los em farmácias comerciais. São eles: Micofenolato de Mofetila 500mg e Predimizona – para pós-transplantados – e Somatropina (valor R$ 800,00), Cinacausete (valor R$ 500,00) e Calcidiou – para os que fazem hemodiálise.

Um paciente renal transplantado necessita tomar medicamentos específicos para evitar complicações pós-cirúrgicas, inclusive os riscos de rejeição do órgão. Hoje, por falta desses medicamentos, essa manutenção do transplante não está sendo realizada.

“Recebi com muita indignação essa informação. Isso demonstra uma total falta de noção do que é prioridade. Muito triste! Isso não pode ficar assim. Infelizmente, o que vemos hoje são transplantados morrendo não apenas pela doença em si, mas também pela omissão das autoridades estaduais em honrar seus compromissos com as clínicas de saúde conveniadas. ” disse Braga.

O grupo confirmou ao senador que a Clínica Renal de Manaus, através de oficio, informou com 90 dias de antecedência, à Secretaria Estadual de Saúde (Susam), que não tem interesse em prorrogar ou renovar contrato com o Governo do Estado.

O Amazonas tem hoje mais de 3.200 pessoas com doenças renais. Desse número, 1.600 são associados da Arcam. Mais de 240 pacientes renais em tratamento de hemodiálise estão sendo despejados pela Clínica Renal, na incerteza serem amparados por outra clínica.

Atualmente, o Hospital Adriano Jorge disponibiliza somente 12 máquinas de hemodiálise em funcionamento. Segundo o paciente Thiago Coelho, esse número não vai conseguir suportar a demanda dos pacientes atendidos pela Clínica Renal de Manaus.

“O paciente renal sem hemodiálise corre sério risco de vida. Agradeço ao senador Eduardo Braga por nos apoiar e nos receber. A  experiência dele é fundamental para nos ajudar a resolver essa questão do tratamento ao renal crônico. Ele conhece minuciosamente nossas lutas” disse Coelho.

A jovem Emily, de 18 anos, pós-transplantada, já perdeu o rim por falta de tratamento e hoje encontra-se internada no Adriano Jorge em estado grave.

Outro exemplo é o caso do paciente Eduardo de Lima. A clínica Santa Júlia se negou a interná-lo e ele morreu semana passada, no 28 de agosto.

“Assim como Eduardo e Emily, existem muitos outros pacientes, não necessariamente transplantados, mas com doenças renais que necessitam de cuidados especiais, como tratamentos de hemodiálise, e que hoje estão sofrendo com as graves limitações da saúde em nosso estado. Vivem um verdadeiro drama. Um absurdo” afirmou Braga.

Cento e doze pacientes estão na fila, prontos, aguardando ansiosamente a sua vez para realizarem transplantes. Mas, os procedimentos continuam suspensos no Hospital Santa Júlia, por falta de pagamento.

Transplantes

Em 2003, na gestão de Eduardo Braga como governador, tiveram inicio os primeiros transplantes de rim no Estado. De imediato 683 pacientes foram operados na capital e no interior, contando com todas as garantias de um pós-operatório tranquilo, com direito a toda assistência e medicações de manutenção inteiramente gratuitas.