“Padre” prefeito de Coari responde aos questionamentos do Radar e jura: “Isso está acontecendo porque estou tentando salvar Coari”

Igson protestos montagem

“Isso foi coisa orquestrada por indivíduos que são ligados a Adail (Pinheiro), como o ex-secretário de administração Julio Sales, o mesmo que orquestrou manifestações contra a deputada Érika Kokay, da CPI da Pedofilia. Ele está revoltado porque o demiti, mas estou apenas tentando salvar Coari dessa gente”. Essa foi a explicação dada pelo prefeito de Coari, Igson Monteiro, que fez contato com o Radar através de ligação telefônica, e diz ter certeza que as manifestações violentas ocorridas durante toda esta quarta-feira (14) não passaram de maquinação do ex-prefeito Adail Pinheiro, de quem ele foi vice nas eleições de 2012, para desmoralizar sua administração.

“O povo de Coari é pacífico e ordeiro e jamais cometeria esses atos de violência”, afirma Igson Monteiro. “Muitos entraram em contato comigo e disseram que estão tristes pelos que aconteceu na cidade”, comentou. Mas, será que os protestos também não seriam fruto da insatisfação popular com a falta de garantia dos seus direitos, como pagamento de salários e 13º? E quais os motivos para que o município com a segunda maior arrecadação do Estado, não consiga – e isso não é de agora, mas sim desde administrações anteriores – pagar o 13º salário dos servidores?

Certo ou errado

“Não vou dizer que você não está certa quando critica a minha administração por causa da falta de regularidade no pagamento do 13º salário. Tinha que ter sido pago até o dia 20 de dezembro. Mas, tem que levar em consideração, e estou pronto pra lhe mostrar, como peguei essa prefeitura em fevereiro do ano passado. Tinha R$ 50 milhões de dívidas só de fornecedores.  “Os catraieiros – barcos de pequeno porte que fazem o transporte escolar -, por exemplo, não recebiam há sete meses. Hoje ainda está atrasado dois meses, mas já negociei com eles e a dívida estará sanada até fevereiro. A mesma coisa na limpeza pública. Peguei uma Prefeitura com uma folha de pagamento de R$ 10 milhões. Como pode uma administração gastar R$ 10 milhões só com pagamento de servidor público, excedendo inclusive os gastos determinados pela Lei de Responsabilidade Fiscal?” argumenta Igson Monteiro.

Ele afirma que só a folha de pagamento da área de saúde estava em R$ 3,5 milhões e a da educação em R$ 4,5 milhões. “Já conseguimos reduzir os gastos com pessoal da saúde para R$ 3 milhões. E ainda temos que avaliar esses gastos, ver quem efetivamente trabalha, porque você não acha que tem alguma coisa errada numa saúde pública que tem 42 médicos na folha, um médico ganha R$ 18 mil numa quinzena de trabalho, e a população reclama que não tem médico?”, questiona Igson Monteiro, acrescentando: “Tem gente que está irritada porque estou tentando apenas moralizar a administração”, alega o prefeito.

Como comprovação de que está falando a verdade sobre o descontrole nas contas da Prefeitura, Igson Monteiro argumenta: “As dificuldades são tão visíveis que a Justiça de Coari já nos deu um prazo para pagarmos ainda este mês, o que está faltando do pagamento dos comissionados – ele diz estar faltando apenas 20% do total dos servidores – e a segunda parcela do 13º salário”. O padre prefeito de Coari faz um juramento ao Radar: “Vou dar uma nova direção para a administração pública em Coari. Pode acreditar!”.

Mas para isso resta saber se vai dar tempo, né gente (?), já que Igson Monteiro terá que reverter em Brasília decisão do Tribuna Superior Eleitoral (TSE) que cassou o registro de Adail Pinheiro, o que torna inválidos os votos recebidos por ele (Adail Pinheiro) e seu vice (Igson Monteiro), fazendo com que assuma o segundo colocado nas eleições de 2012, o empresário Raimundo Magalhães. (Any Margareth)