Pai denuncia que filho recém-nascido fez tratamento de forma improvisada na Maternidade Ana Braga (ver vídeo)

Os funcionários da maternidade informaram não haver material necessário para realizar o procedimento e contaram ao pai da criança que o governo do Amazonas não está enviando materiais para a Maternidade Ana Braga.

O filho recém-nascido de Felipe Sadi, que está internado na Maternidade Ana Braga, localizada na avenida Cosme Ferreira, bairro São José Operário, zona Leste de Manaus, recebeu o tratamento de fototerapia (banho de luz) de forma improvisada, denunciou o pai da criança ao Radar.

O chamado “banho de luz” é um tipo de terapia com luz (fototerapia) que é usada para tratar a icterícia em recém-nascidos, que é a ocorrência de uma coloração amarelada da pele e no branco dos olhos causada pelo excesso de uma substância amarela chamada bilirrubina.
Felipe Sadi contou ao Radar só ter conseguido atendimento, após dizer para a direção do hospital que iria denunciar para a imprensa, na tarde desta quarta-feira (6).

A reportagem foi na maternidade e conversou com Felipe Sadi. Segundo ele, a criança está internada na maternidade e, para receber alta, precisava tomar o chamado “banho de luz”. Entretanto, os funcionários da maternidade informaram não haver material necessário para realizar o procedimento e contaram ao pai da criança que o governo do Amazonas não está enviando materiais para a Maternidade Ana Braga.“Estamos aqui na maternidade desde o dia 1°, segundo eles, o neném não recebeu alta, de ontem pra hoje, porque ele precisava fazer esse banho de luz porque não tinha material. O pediatra veio, tirou o sangue dele e disseram que o resultado ia sair às 17h, e não saiu, nós ficamos sem receber notícia. Fomos à ouvidoria de manhã, fizemos a denúncia e falaram que não tinha material adequado. O Estado não manda material pra cá. Quando soube da notícia, a enfermeira me orientou a chamar uma reportagem e buscar meus direitos”, relatou o pai da criança ao Radar Amazônico.

Após inúmeras reclamações, o filho de Felipe Sadi conseguiu fazer o tratamento de fototerapia improvisadamente, algo que não deveria acontecer na rede de saúde pública do Estado, tendo em vista que o Estado possui um saldo de mais de R$ 13,4 bilhões, referente à arrecadação tributária do período de 2019 a 2021, conforme já apresentado pelo deputado estadual Dermilson Chagas (Republicanos) na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

O Radar Amazônico ouviu a direção da Maternidade Ana Braga e a informação sobre a falta de material na unidade de saúde foi negada.

“É inverdade dizer que não tem material, se não tivesse, já estaríamos presos, até porque ele é essencial no cuidado de pele da criança. Se você quiser ver os equipamentos, a gente leva lá e mostramos que não falta […] nós também somos referência no tratamento de Covid-19. Na segunda onda vimos um aumento de partos prematuros e esses bebês precisam dessa luz. Se a gente não der prioridade para os bebês mais graves, não desmerecendo os outros bebês, mas a gente acaba trabalhando com ordem de gravidade. Estamos em um momento que o Covid voltou, a nossa unidade é referência de Covid”, informou a direção.

A direção explicou à reportagem que ficou surpresa com a denúncia, mas não negou que o tratamento foi feito de forma improvisada.

“Como estamos em um momento delicado, não conseguimos atender as demandas. Às vezes as pessoas não sabem, é uma maternidade enorme e essa informação não chega. A direção é aberta para a população que a gente explica. Não tem necessidade de chamar a imprensa. Foi feito de forma improvisada porque os outros equipamentos estão ocupados, mas não deixamos de dar assistência”, disse a direção.

Apesar das informações repassadas pela direção da maternidade, Felipe Sadi disse que informaram a ele que não tem material na maternidade e o filho dele só conseguiu tratamento após inúmeras reclamações.