Pais de alunos de escola estadual denunciam alimentação imprópria para consumo no “Merenda em Casa”

Foto: Divulgação

Pais de alunos da rede estadual de ensino denunciaram, nesta quinta-feira (19), ao Radar, a baixa qualidade dos alimentos que os filhos receberam no programa ‘merenda em casa’, do Governo do Estado. Na Escola Estadual Raio de Sol, localizada no Nova Cidade, zona Norte de Manaus, algumas mães, que não têm condições de comprar alimentos ficaram frustradas.

Em alguns casos, os pais e responsáveis já contavam com a merenda escolar para complementar a alimentação dos filhos, mas eles acreditavam que com o programa do governo o impacto não seria tão grande.

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Uma das mães, revoltada, não quis ter o nome revelado, mas afirmou que recebeu um comunicado da direção da escola para que os pais fossem buscar os filhos na escola para carregar uma “caixa grande” com alimentos. Quando chegou no local foi surpreendida com um quilo de farinha branca, um quilo de farinha de tapioca, um abacaxi, um cheiro verde e um maço de couve, os quais ela afirma que estavam secos e impróprios para consumo.

“O cheiro verde veio seco e o couve todo sujo. Onde estão os demais alimentos? Onde estão os alimentos que o governo enviou para as escolas?”, questiona.

A mãe disse, ainda, que a direção da escola alegou que não recebia alimentos desde a parada das aulas por conta da pandemia. “Eu perguntei o que os nossos filhos estavam comendo, já que não tinha alimento. Meu filho não é porco para comer essas folhas desse jeito”, disse.

Outra mãe, que também preferiu não revelar o nome, disse que estava preocupada com as demais famílias, já que, de acordo com ela, há pessoas de baixa renda, naquela região, que não têm como alimentar os filhos com o “kit do governo”.

“Eu acho isso uma humilhação. Sabemos que tem muitas crianças que não têm nem o que comer e comiam na escola e agora não tem aula. O que fizeram com a merenda da escola? Quando mandam vem isso? Isso é um absurdo, humilhação”, lamentou.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) disse que os alimentos mencionados começaram a ser distribuídos nesta semana. Conforme a Seduc, são itens excedentes dos que foram consumidos nas escolas e que poderiam vir a estragar.

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A secretaria informou, ainda, que esta ação está de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e demais órgãos de fiscalização e controle que têm acompanhado os procedimentos adotados para “evitar desperdício e garantir a segurança alimentar dos estudantes através da merenda escolar, devido à pandemia da Covid-19”.

Sobre a reclamação das mães enquanto a qualidade dos alimentos, a Seduc informou que “não estão sendo distribuídos itens impróprios para o consumo e que no momento do recebimento os pais e responsáveis podem avaliar a qualidade do kit e solicitar a troca caso haja qualquer reclamação sobre a qualidade, uma vez que são altamente perecíveis”.