Pais de alunos encontram prédio do CMEI fechado com correntes; Prefeitura não paga há 4 meses e vai fechar escola

Imóvel interditado falta de pagamento 1Os pais de alunos que procuraram esta semana o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Monteiro Lobato que fica situado na rua Artur Neto – coincidência infeliz, né minha gente? – nº 6, bairro Novo Israel, deram de cara com portões fechados com corrente e uma placa onde estava escrito: “Interditado por falta de pagamento do aluguel pela PMM”.

Os pais de alunos de crianças de 3 a 5 que estudam no CMEI enviaram ao Radar as imagens do local e mensagens reclamando do que está acontecendo. “Como vou fazer pra pegar pelo menos os documentos do meu filho que estão na escola. Deveria ter alguém da prefeitura pra nos dar uma explicação. Isso é uma falta de respeito”, reclama uma mãe, arrematando: “Belo presente de Natal esse do prefeito!”.

O Radar foi atrás de falar com alguém responsável pelo prédio do CMEI e conseguiu conversar, pelo telefone, com o filho da proprietária do prédio, Paulo Husserl. “Não estamos falando aqui do aluguel atrasado há 4 meses, tão somente. Se fosse ganância por dinheiro estaríamos satisfeitos porque, se alugássemos para uma escola particular, seria bem mais lucrativo. O que a Prefeitura nos paga mal dá pra manter os gastos com o prédio. Mas, além de não pagar, a Prefeitura determinou o fechamento da escola. São 400 crianças que estudam no CMEI e que vão ficar sem ter onde estudar porque são apenas dois centros de educação infantil para todo o Novo Israel. Meu filho pequeno estuda no CMEI Monteiro Lobato e minha filha mais velha também estudou lá. Minha família mora há mais de 25 anos no Novo Israel. Jamais faríamos qualquer coisa pra prejudicar pessoas da nossa comunidade”, argumenta Paulo Husserl, arrematando: “Estamos lutando, junto com as mães do Novo Israel, pelo não fechamento da escola”.

Ele conta que, em outubro foi renovado o contrato do prédio e qual não foi a nossa surpresa quando o nome do CMEI saiu na lista de escolas que seriam fechadas pela Prefeitura com a justificativa dada pela secretária de Educação (kátia Schweickardt) que não tinha demanda de alunos para a escola. “Nos meses de junho e julho, os pais já começam a nos procurar por vagas. Como é então que não tem demanda? Como é que a secretária diz que a Prefeitura está gastando desnecessariamente? Então, ela não conhece a realidade do Novo Israel. Nós estamos com lotação total de 400 crianças, assim o outro CMEI que é o único centro de educação infantil que vai ficar funcionando, onde estudam crianças de 4 a 5 anos. As mães estão no desespero porque a Prefeitura está querendo realocar essas crianças em CMEIs distantes, onde é necessário transporte. Essas mães não têm dinheiro pra pagar transporte e muitas trabalham. Quem vai se responsabilizar pela segurança dessas crianças pequenas estudando longe de casa? questiona Paulo Husserl

Ele diz que já foi feito contato dos pais de alunos com a Semed cobrando um posicionamento sobre a situação da escola. “Quem deveria estar aqui para dar satisfação aos pais dos alunos, a secretária Kátia, está de férias, só volta no dia 04 de janeiro. O prefeito até agora não se manifestou”, informa Paulo, acrescentando que a única providência tomada foi arrancarem a placa do portão do prédio do CMEI e quebrarem a corrente. “A Semed alega que não mandou fazer isso, não assume. Mas os vizinhos identificaram funcionários da Prefeitura numa moto como os responsáveis por quebrarem as correntes e tirarem a placa pra imprensa não publicar”, conta.

Paulo diz que acima de qualquer prejuízo financeiro, ninguém imagina o prejuízo que isso vai causar para a educação das crianças do Novo Israel. “E o mais triste é saber que um vereador, Elias Emanuel, é quem deu a ideia de se fazer essas vistorias em escolas para levantar onde o prefeito poderia fazer economia. Um cara que nunca veio aqui pra saber qual é a situação da nossa comunidade”, diz o pai de aluno e filho da dona do prédio.

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