As palafitas acabaram desabando e o Prosamim não chegou

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A demora na realização das obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) causou um desentendimento entre as famílias que foram vítimas do desabamento de seis casas no bairro da Glória e o poder público. Os moradores do local do acidente, que ocorreu na noite desta quarta-feira (27), dizem que são cadastrados no Prosamim e têm direito a moradia. A Defesa Civil, por outro lado, afirma não ter encontrado o selo do Prosamim nas casas.

A verdade, ao que tudo indica, é que o cadastramento dos moradores da área foi feito há tanto tempo, que novas casas foram construídas no local. E a triste realidade é que as pessoas que ficaram desabrigadas tiveram de passar a noite ao relento, em pontes, sem o auxílio necessário dos órgãos competentes.

A diarista Rosimar Oliveira da Silva, moradora da primeira casa que desabou, afirma que perdeu quase tudo o que tinha. “Tudo começou pela casa que eu moro. Estalou primeiro e eu acordei. Deitei de novo e, quando vi, estava tudo desabando”, relata a moradora. “Nossas coisas todas foram para o fundo o rio. O Corpo de Bombeiros veio, mas não deu para tirar nada de dentro das casas”, disse.

Rosimar reclama que os moradores do local já deveriam ter sido removidos para outros locais. “Já era para terem dado nosso apartamento. Deram para outras pessoas e, para nós, que moramos no alagado, não deram. Não tiraram a gente daqui. Somos cadastrados há mais de quatro anos”, afirmou. Segundo a diarista, muitos moradores já desistiram e se mudaram para outros locais. “Teve gente que já morreu esperando”.

A diarista conta que um dos seus filhos se machucou por conta de uma janela que caiu sobre a cabeça dele no momento do desabamento. “Alguém tem que fazer alguma coisa pela gente. Não temos para onde ir e só deu para resgatar algumas roupas em sacos plásticos e caixas de papelão”, relatou.

Segundo a Defesa Civil, a causa do desabamento foi o apodrecimento das estacas fixas sobre as quais as casas se apoiavam. Na manhã desta quinta-feira (28), os moradores estavam sendo cadastrados para receber o aluguel social (R$ 300) durante três meses, até que se decida se as famílias têm direito a receber moradia por intermédio do Prosamim.

SÃO RAIMUNDO

No bairro do São Raimundo, vizinho ao bairro da Glória, uma das obras do Prosamim realizadas pelo atual governo está parcialmente pronta, mas não foi entregue. Os apartamentos encontram-se de portas fechadas.

O borracheiro Nivaldo Silva Santos se diz indignado com a situação. “O governo gasta milhões e não entrega a obra. Enquanto isso, as pessoas que têm prioridade, que realmente precisam, não têm onde morar”, reclamou. O aposentado Aloísio Santos concorda. “O governo condena as pessoas a ficarem desabrigadas, na rua”, disse.

O autônomo Tarcísio Guimarães explica que o Prosamim do São Raimundo não foi entregue ainda, apesar já de ter sido utilizado na propaganda eleitoral do atual governador, porque as obras não estão concluídas. “A obra está pela metade. Eles não terminaram ainda. Por isso não podem entregar”. O conjunto habitacional chegou a ser inaugurado no dia 2 de julho deste ano, mas permanece inabitado.

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