Palavras que matam

Esse texto poderia ter outros títulos, como por exemplo, “palavras de ódio em nome de Deus”, porque o que tem se visto nos últimos tempos, é muita gente professando a fé cristã, falando de Deus o tempo todo, e ao mesmo tempo fazendo declarações preconceituosas, visivelmente racistas, cruéis e xenofóbicas (rejeição a pessoas de outros países). Toda vez que ouço essas declarações fico pensando cá com meus botões: – Como pode esses caras ainda falarem em Deus?

A Bíblia é muito clara sobre o poder das palavras quando está escrito em Provérbios 25:11, “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo”. Também em provérbios (13:3), a palavra de Deus mostra que é tão grande o poder das palavras que, muitas vezes é melhor optarmos pelo silêncio, “O que guarda a sua boca preserva a sua vida; mas o que muito abre os seus lábios traz sobre si a ruína”.

Mas os mesmos homens que dizem adorar a Deus acima de tudo rejeitam imigrantes, tripudiam sobre pessoas de outras raças, humilham quem precisa de abrigo. E as palavras dessa gente se espalham como se fosse uma arma biológica, atingindo o cérebro de gente idiotizada, recalcada e infeliz, que espalha ódio porque na verdade tem ódio mesmo é de si próprio, têm consciência que na verdade não é nadica de nada.

E o resultado de palavras disseminadoras de ódio são ataques de atiradores como os que ocorreram em cerca de 24 horas nos Estados Unidos, cujo número de mortos já chegou a 31 pessoas, além de dezenas de feridos. Autoridades e policiais estabeleceram conexões entre os casos de violência e o ressurgimento do nacionalismo branco e da política xenofóbica nos Estados Unidos.

Dias antes dos tiroteios, o presidente Donald Trump fez ataques a membros do Congresso que são de minorias raciais ou étnicas. Quem pode achar que esses massacres em regiões que possuem muitos cidadãos mexicanos são meras coincidências?

Mesmo com discurso preconceituoso, Trump insiste que não é racista e para provar isso faz discurso contra grupos de supremacia branca depois que suas palavras já provocaram ondas de ódio e intolerância.

Do mesmo jeito age o principal discípulo de Trump no Brasil, o presidente Messias Bolsonaro, que se diz evangélico. Ele parece ter uma Bíblia diferente de todas as outras que têm os cristãos do mundo. Onde foi parar o principal dos mandamentos: “Amai o teu próximo como a ti mesmo e a teu Deus sobre todas as cousas”. Mas, para Bolsonaro esse mandamento parece não existir já que ele humilha quem é diferente ou pensa diferente dele.

Mulheres podem ser chamadas de vagabundas ou ouvirem que só não são estupradas porque são feias, negros são chamados de “bois gordos”, índios são preguiçosos, homossexuais são denominados de “menininhas” e “veadinhos” que se cura com porrada. Seu ídolo é um torturador (coronel Brilhante) a quem ele idolatra em alto e bom som. E as palavras de Bolsonaro são ditas, como se fossem piadas, em meio a risos. Bolsonaro é puro ódio e desprezo aos outros

Quando você lê sobre o uso correto das palavras em Efésios 5:4: “Nem baixeza, nem conversa tola, nem gracejos indecentes, coisas essas que não convêm; mas antes ações de graças.”, de quem você lembra? Bolsonaro continua repetindo seu mote de campanha de “Deus acima de todos!”. Mas se Deus está acima de todos, como o presidente continua desrespeitando a palavra de Deus e continua “vomitando” o mal pra todos os lados. Diz a Bíblia: “Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai da boca, porque procede do coração”. Mateus, 15:18-19.

E logo depois, Bolsonaro desdiz o que disse, acusa pessoas de distorcerem suas palavras e tenta refazer o mal que propagou. Mas já é tarde demais porque as palavras já atingiram seu objetivo de disseminar o ódio, separar pessoas e incutir a violência.