Anúncio Advertisement

Palestinos repudiam atitudes do governador do Amazonas durante viagem a Israel

Atitudes e declarações do governador Wilson Lima (PSC), durante viagem a Israel, provocaram revolta dos palestinos. A Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), em nota encaminhada aos veículos de comunicação, nesta quinta-feira (6), repudiou declarações do governador consideradas “inoportunas e ofensivas”, como por exemplo, o fato de ter mencionados “grupos terroristas” quando estava em área que tem sido motivo de disputa territorial entre palestinos e israelenses.

As atitudes do governador Wilson Lima podem causar um sério problema diplomático, pois, no entendimento da Federação Árabe Palestina no Brasil, o Governador usou o termo (grupos terroristas), claramente direcionando-se ao povo palestino. “Importa considerar a existência que o artigo 51 da Carta das Nações Unidas reconhece a existência de um direito inerente à legítima defesa em caso de um ataque armado por um Estado (Israel) contra outro Estado (Palestina, reconhecida pela ONU desde 2012, pelo Brasil desde 2010 e desde então por 140 países)”, refuta o presidente da Fepal, Ualid Rabah,

Ele citou inúmeras resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU) que teriam sido desrespeitadas pelo governador do Amazonas ao visitar “assentamentos ilegais” israelenses na Palestina , em sua porção denominada de Cisjordânia, indicando-a como Israel. “O governador deixou de observar a Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, de 1967, que declara estes territórios como conquistados ilegalmente pelo uso da força”, reclama Ualid Rabah.

Ele classifica ainda como desrespeito o fato do governador ter “visitado a Palestina sob ocupação e designá-la como Israel. O presidente da FEPAL, diz que o governador do Amazonas “desrespeitou as Regulações de Haia de 1907, a Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, a Convenção Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, e a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, inclusive em conexão, também, no que se refere às obrigações relacionadas às garantias de acesso aos Lugares Sagrados cristãos e islâmicos, desrespeitadas sistematicamente por Israel”.

Nas declarações que fez e que, inclusive, postou em suas redes sociais, Wilson Lima diz ter ido a Israel tratar sobre a ‘tecnologia’ na área de segurança’, o que Ualid Rabah considera que “o governador do Amazonas se associa a um dos crimes mais graves de Israel, conforme denunciado pela New Weapons Committee (NWRG) – Novo Comitê de Armas, que reúne um grupo de pesquisadores, acadêmicos e profissionais de mídia que estuda os efeitos das novas tecnologias de guerra, cujo relatório concluiu que Israel utilizou e segue utilizando contra a população palestina armas e munições com ‘metais tóxicos e cancerígenos, capazes de produzir mutações genéticas’ e que estes ataques indiscriminados também ‘servem ao propósito de observar os efeitos da mistura de novas substâncias’, isto é, testar armas e munições na população palestina e depois vende-las a outros países”.

De acordo com o presidente da Fepal, Ualid Rabah, Lima agiu, ainda, como estrangeiro que auxilia estado agressor, visto que o Artigo 2º, parágrafo 4º, da Carta das Nações Unidas, determina que “todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas”.

Ualid Rabah declarou que o governador feriu, com sua presença em área ilegalmente ocupada, os direitos humanos, visto que o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou, em inúmeras ocasiões, os assentamentos israelenses, defendendo a autodeterminação palestina e denunciando Israel por violação de direitos humanos nos territórios ocupados e nas Colinas de Golã, estas da Síria e ocupadas por Israel desde 1967.

“Por fim, o governador amazonense se associa a um dos regimes mais cruéis do mundo, baseado no supremacismo racial, no genocídio e na limpeza étnica, conforme bem descreveu a Comissão (da ONU) Econômica e Social para a Ásia Ocidental”, disse Ualid Rabah.

Ler nota da FEPAL na íntegra: