Para Arthur Virgílio Filho, in memoriam

Foto: Reprodução

O episódio das ofensas proferidas pelo presidente Messias Bolsonaro contra o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto e do deboche feito a memoria de seu pai, me trouxe a mente, o dia que me deparei com a prova material da importância para a história do Amazonas do já falecido ex-deputado federal e ex-senador da República, Arthur Virgílio Filho.

Com tantos anos em redações de jornal, logicamente, já tinha ouvido políticos comentarem sobre Arthur Virgílio Filho, o pai do hoje prefeito de Manaus, Arthur Neto. Os comentários sempre foram os mais elogiosos, desde o fato dele ser um grande orador, até características como combatividade no exercício do cargo e defesa intransigente da Democracia. O que mais me deixou impressionada é que certos elogios vieram até mesmo de quem assumiu ser adversário político.

Mas a materialização da importância do ex-senador Arthur Virgílio Filho para o Amazonas me veio em forma de um busto com o qual me deparei, em frente ao auditório Eulálio Chaves no mini-campus da Universidade Federal do Amazonas, no dia da formatura da minha filha no curso de Direito. Arthur Virgílio Filho tem um busto em sua homenagem por ser o autor do projeto de criação da Universidade Federal do Amazonas – existiam somente os cursos de economia e de direito.

Apaixonada pela educação como sou e defensora de que somente pela educação um ser humano se livra da miséria, inclusive a mental, e tem alguma perspectiva de futuro durante a sua existência, naquele momento, eu que já era uma admiradora, passei a ser uma fã incondicional do ex-senador Arthur Virgílio Filho, in memoriam. Depois vim saber de inúmeros outros projetos cada um mais importante do que o outro, como a vinda da luz elétrica para Manaus.

E as lembrança de todos esses fatos que envolvem Arthur Virgílio Filho e que vieram a tona durante mais uma atitude grotesca e sem sentido do presidente, me fizeram num ato contínuo comparar quem foi Jair Messias Bolsonaro, que chegou à Câmara Federal em 1991, onde teve sete mandatos – até 2018. Passou 27 anos no Parlamento Federal e conseguiu tão somente aprovar dois projetos de Lei e uma emenda, projetos inexpressivos e, pode-se até dizer, enganadores como o uso da tal “pilula do câncer” (fosfoetanolamina) que cientistas comprovaram através de testes não ter o menor efeito na cura do câncer – agora ele quer a distribuição indiscriminada da hidroxicloroquina sem levar em consideração os efeitos colaterais, como por exemplo arritmias cardíacas.

Enquanto Arthur Virgílio Filho teve uma vida verdadeira, Messias Bolsonaro teve uma vida fake, tão fake quanto seus projetos legislativos, quanto as mensagens que sua propaganda eleitoral disseminou aos milhões pelo país, tão fake quanto sua relação com seus correligionários e até mesmo com aqueles a quem deveria honrar, como seu próprio pai.

Foi buscando informações na tentativa de entender esse ser que mais parece coisa, que não respeita os sentimentos de ninguém e nem o povo a quem jurou defender, que li sobre o pai de Messias Bolsonaro, de nome Percy Geraldo Bolsonaro que, segundo inúmeras matérias da imprensa nacional, foi um homem digno, trabalhador, e teve militância política pelo MDB.

“Documentos oficiais revelam que o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), o Serviço Nacional de Informação (SNI) e o comando da Aeronáutica monitoraram as atividades políticas de Geraldo e um suposto crime atribuído a ele, previsto no Código Penal: exercício ilegal de profissão (medicina, odontologia ou farmácia) do qual ele foi absolvido em 1975”, diz em uma das matérias de O Globo.

Então como entender alguém, no caso Messias Bolsonaro, que tem adoração por uma Ditadura Militar que perseguiu, monitorou e fichou como criminoso seu próprio pai? E como querer que Bolsonaro honre a memória dos pais de outros homens e se ele não honra nem o seu próprio pai. Como diz na Blíblia, “honra a quem tem honra”. Então como pedir honra a quem não tem?