Para assistir ao jogo de vôlei, mulheres são obrigadas pela Sejel a jogar no lixo batom e até remédio controlado

As mulheres, muitas delas idosas, que compraram ingressos para a área VIP, a R$ 100,00 (cem reais) – mais a doação de um quilo de alimento não perecível – para assistirem ao jogo entre Rexona e São Caetano, pela Superliga Feminina de Vôlei, na Arena Amadeu Teixeira, passaram por uma situação, no mínimo, absurda e revoltante – tenho vontade de escrever expressões bem piores, mas são impublicáveis.

Servidores da Secretaria de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) do governo do professor Melo, junto com funcionários de uma empresa de segurança, Visam da Amazônia, contratada pelo secretário da Sejel, Fabrício Lima, decidiram sem qualquer aviso prévio pelos veículos de comunicação, que as mulheres não poderiam entrar com batom na bolsa, nem com outros tipos de maquiagem, como pó compacto por exemplo, e mesmo as senhoras idosas, que tomam remédios controlados, teriam que se desfazer do medicamento.

E aí, o que fazer, se o carro ficou muito distante da Arena Amadeu Teixeira por falta de estacionamento, e ir até lá guardar o batom ou o remédio, ou ambos, significava perder parte do jogo? A solução foi jogar no lixo, já que os seguranças e funcionários da Sejel, alguns deles pra lá de abusados, ainda impediam, com truculência que as mulheres entrassem na arena.

A única explicação para tais medidas eram umas tais de “normas de segurança” mas, nem os funcionários da Sejel, nem os seguranças contratados com o nosso dinheiro, não sabiam explicar quem determinou tais normas. Um, dizia que eram normas previstas pela empresa responsável pela venda de ingressos, outro dizia que quem determinava isso era a empresa de segurança e ainda tinha quem dissesse que isso eram critérios pré-determinados pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). Mas, na verdade, o que mais se ouviu foi a seguinte resposta imbecil e grosseira: “A ordem é essa!”.

Antes mesmo de chegar ao estádio, pelo telefone, euzinha fiquei sabendo que uma senhora idosa, tinha ficado aos prantos ao ser impedida de entrar e ver o marido revoltado porque não daria tempo de ir deixar o batom no carro que tinha ficado bem longe da arena. Ela sapecou o batom longe, no meio da rua

Mas, achei que o que estavam me contando era absurdo, pois pensei estar havendo algum engano: afinal, quem uma senhora idosa pode ferir com um batom, não é mesmo? Como forma de checar a informação, não deixei o meu batom no carro e levei na bolsa para ver o que ia acontecer. E me espantei ao ver que aquilo que me contaram era tudo verdade, me impediram de entrar com aquele objeto de “altíssima periculosidade”, um batom.

Porém, o pior ainda estava por vir quando uma moçoila abusada – me seguro pra não dizer outro xingamento – da secretaria do Fabrício Lima, mete a mão na bolsa de uma senhora e retira o remédio pra pressão que também era proibido da mulher levar consigo. Ou seja, quem tiver problema de pressão ou cardíaco, está proibido de ir a qualquer jogo promovido pela Sejel, sob risco de passar mal com alguma emoção forte e não ter remédio pra tomar. Pode, uma lambança dessas gente?

Mas, logo depois, vejo que a mesma Sejel do Fabrício que faz mulheres passarem constrangimento por causa de batons, remédios ou pó compacto – no caso desse último objeto diz que é por causa do espelho que é cortante – libera venda de refrigerantes e bebidas alcoólicas em lata. E desde quando alumínio deixou de ser cortante, hein?

Euzinha e o Fabrício

E como, mais uma vez, o universo decidiu conspirar ao meu favor e, nesse caso, contra o secretário da Sejel, Fabrício Lima, não por acaso ele estava encostado na mureta que separava o campo da área VIP. E aí, vocês já sabem o que fiz, né meu povo? Fui cobrar explicações do secretário que estava mais perdido que seus funcionários ou os seguranças pagos por ele com o nosso dinheiro.

Segundo Fabrício Lima, as “normas de segurança” que consideram batom e remédio tão perigosos quanto armas e drogas no presídio – e lá, como por mágica, entra de tudo, né meu povo – são impostas pela polícia. Que polícia, já que não tinha sequer um policial por lá, somente segurança privada? Isso, ele não soube responder, assim como também não teve resposta para o questionamento da Sejel não usar os espaços na imprensa, com os quais o governador dele gasta milhões, para avisar o que podia ou não ser levado na bolsa, evitando que as mulheres dessa cidade passassem por constrangimento e raiva.

Enquanto mulheres, uma atrás da outra, passavam vergonha, como se não fossem pessoas idôneas, o secretário se resumia em ficar ao telefone, de bate papo com “gente importante” que promoveu o evento junto com a Sejel, ou ainda curtindo o jogo com sua família, bem ao lado da quadra. E na entrada da arena, cambistas agiam livremente abordando quem chegava ao estádio e flanelinhas cobravam R$ 20,00 (vinte reais) por uma vaga próxima as entradas do estádio – e você até tem medo de não pagar porque sabe lá o que pode acontecer com seu carro!. E, pra esse tipo de coisa, ilegal e imoral, não tem norma, nem segurança da Sejel, né mesmo secretário? (Any Margareth)