Para certos homens públicos somos apenas números, sem rostos, sem identidade, sem existência. Mera estatística.

Deu nos jornais, nos sites, nas televisões, nas rádios, em tudo que foi lugar. Pra todo lugar que se olhava, lá estava a mesma notícia: uma redução de 30% do número de homicídios no primeiro semestre deste ano, foi registrada pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), em comparação com o mesmo período do ano passado. No total foram registrados 347 casos de assassinatos contra 491, em 2012. Ou seja, uma diferença de 144 pessoas que não foram mortas nos seis primeiros meses desse ano. E 347 foram assassinadas. Os homens públicos têm algo a comemorar? Será que dá pra responder em quantos desses casos a família teve uma resposta sobre quem são os assassinos? Quantos casos estão sob investigação? Quais os casos em que já há suspeitos? Ou será que o corpo inerte de um ser humano não vai passar de um número num quadro estatístico, um alguém que não passa de ninguém, sem rosto, sem identidade, como se só existisse depois de morto?

Números da miséria

Já o vice-governador do Amazonas, José Melo, durante uma visita feita, nesta segunda-feira (12), ao plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), fez um discurso onde ressaltava a importância da vacinação contra o vírus HPV que está sendo feita pelo Governo do Estado, e em determinado momento enveredou pelas estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU) que apontaram baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para municípios do Amazonas. Ele lembrou o fato de que entre as 50 piores cidades do país, nove são do Amazonas, e um desses municípios, Atalaia do Norte, tem o 3° pior IDH do País. Vale lembrar,coisa que o vice-governador não o fez, que o IDH é medido com base nos critérios indicadores da educação, longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda per capita (a renda média de cada residente nesses municípios). O vice-governador fez questão de ressaltar que esses números de IDH já foram piores. Piores, é? Essa “melhora” é por que em Atalaia do Norte, no ano de 2000 morriam 47,6 crianças antes de completar um ano e em 2010 passou a morrer 28,6? Ou é porque em 1991 mais de 60% de todas as famílias daquele município estavam na condição de extremamente pobres, e em 2010 passou a ser “somente” quase da metade (49,95%) da população formada de famílias miseráveis? Dá pra responder o que está sendo feito pra que as crianças do nosso Estado parem de morrer de fome? Ou elas vão continuar sendo números de uma estatística vergonhosa?

Está em todas

E falando em vice-governador José Melo não precisa mais ninguém ficar perguntando se ele é candidato a governo nas eleições do ano que vem, né gente? Ele vai a todo o lugar, seja onde for e pra falar sobre o que for. Ontem, na CMM, apesar das presenças da presidente de honra do Fundo de Promoção Social (FPS) e primeira-dama do Estado, Nejmi Aziz, da secretária de Governo, Rebeca Garcia, do secretário de Estado da Saúde, Wilson Alecrim, e até da médica ginecologista, Mônica Bandeira de Melo, para falarem sobre a vacinação contra o vírus HPV, lá estava José Melo no meio da “trupe”, e desandou a falar sobre todo tipo de assunto, mas principalmente se desfez em rasgados elogios para a primeira-dama a quem chamou “condutora das políticas públicas do nosso Governo” e tratou de deixar os vereadores em Estado de graça falando sobre o comportamento que eles têm e é “infelizmente incomum no meio político”. Incomum, é? E logo no meio político? Olha que tem gente que não vai gostar nadinha dessa afirmação!

Na foto

E os gaiatos aqui do Radar saíram com mais uma hoje após a aparição do vice-governador na Câmara para tratar de vacinação contra HPV. “Esse é do tipo de candidato que vai desde chorar em velório, até apagar velinha em bolo de aniversário de criança só pra sair na foto, Ah! Povo da língua bifurcada, não é mesmo?