Para o líder do Governo de Melo não houve desvio de dinheiro público da saúde, apenas sonegação fiscal

davi-almeida-1Os ânimos esquentaram na manha desta quarta-feira (21), durante a sessão plenária na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). O assunto não poderia ser outro que não fosse o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), ingressadas pelos deputados Alessandra Campelo (PMDB) e José Ricardo (PT). A discussão entre os que são pró ou contra a CPI “pegou fogo” quando o líder do Governo do professor Melo, deputado David Almeida, ao falar sobre a operação ‘Maus Caminhos’, afirmou que não houve desvio de dinheiro publico, apenas sonegação fiscal, e completou dizendo que sonegação e corrupção ‘são coisas diferentes’.

Contradizendo o que disseram os delgados da PF sobre desvio de dinheiro público da saúde, Davi Almeida tratou o assunto tão somente como um caso de sonegação fiscal. “O que se vê aqui é que essas entidades arrecadavam muito, tinham grandes contratos e não faziam seus recolhimentos previdenciários, não faziam recolhimento de impostos, não faziam as suas devidas prestações de contas para o imposto de renda”, declarou.

O líder do governo também decidiu rebater às críticas ao Governo do Estado, atacando a deputada de oposição Alessandra Campelo, classificando de “irresponsabilidade” as denúncias feitas sobre outros contratos suspeitos pactuados pelo governo com denominadas “organizações sociais sem fins lucrativos”, nos mesmos moldes dos que foram feitos com o Instituto Novos Caminhos.

Da tribuna da Casa, o líder do Governo apresentou um relatório que, segundo ele, demonstrava mais de 12 milhões de atendimentos e procedimentos médicos feitos pelo Instituto Novos Caminhos, principal alvo da PF na Operação Maus Caminhos.

Ou má fé ou desconhecimento

Para a deputada Alessandra Campelo, as declarações do deputado Davi sobre não ter ocorrido corrupção na saúde, mas sim sonegação fiscal, é um deboche com o povo sofrido do Amazonas. “Ele vem aqui dizer que não existe desvio de dinheiro público. Isso só pode ser deboche, brincadeira de mau gosto até mesmo com a Polícia Federal. Algo que inclusive não merece nem comentário. Eu acho desprezível esse tipo de comportamento por parte de um parlamentar que foi eleito pelo povo”, argumentou Alessandra

Em resposta aos ataques sofridos por parte do líder do Governo, a deputada afirmou que, por não ter argumentos para defender a administração estadual diante do escândalo na área da saúde, o deputado David Almeida está buscando transferir o foco. “Ele (David) tenta tirar o foco jogando para mim o problema dizendo que minhas declarações são graves. Grave são as pessoas morrendo nos hospitais”, disse a parlamentar.

Ato político

Para o vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Belarmino Lins (PROS) a instalação da CPI não passa de um ato político, visto que estamos às vésperas de uma eleição.

Em contrapartida, durante um Comunicado de Liderança, o deputado Vicente Lopes (PMDB) pediu que o Governo do Estado se manifeste e diga quais medidas irá tomar para apurar e punir as empresas envolvidas na operação ‘Maus Caminhos’.

Lopes disse que os parlamentares devem tratar a questão objetivamente e cobrar que o Governo se manifeste e informe a Casa todas as providências que serão adotadas, pois, segundo o deputado, a responsabilidade de esclarecimentos dos fatos não deve ser exclusiva da PF, mas também do Estado, pois os supostos desvios são da área de saúde, que padece grandemente de escassez de recursos.

O deputado José Ricardo (PT) afirma que é insustentável a permanência do secretário de saúde do Estado e cobra a presença do secretário de saúde, Pedro Elias, para prestar esclarecimentos à ALE.

“Sempre votei contra a aprovação dessa gestão marcada por desmandos e retrocessos. Quando se aprovam prestações de contas com ilegalidades gritantes na área da saúde, e o pior, quando se aprovam mesmo que os técnicos do órgão fiscalizador alertem para essas irregularidades esta Casa se torna cúmplice dos desvios milionários como os desmontados nesta operação da PF. A Assembleia Legislativa precisa se posicionar em favor da população que diariamente sofre pelo sucateamento dos hospitais, enquanto que os empresários beneficiados por estes esquemas ostentam um a vida de luxo com dinheiro público”, criticou.

Até o fim da sessão plenária desta quarta-feira, Alessandra ainda contava com o apoio dos quatro deputados: José Ricardo Wendling (PT), Wanderley Dallas (PMDB), Vicente Lopes e Luiz Castro (Rede). A deputada não revelou nomes, mas garantiu que até o final do dia teria o apoio de mais dois colegas de Parlamento. São necessárias oito assinaturas para a instalação da CPI.

Pela divisão política na Casa, ainda podem assinar o pedido de CPI os deputados Bi Garcia e Bosco Saraiva, ambos do PSDB.  (Equipe do Radar)