Pedro Elias joga a culpa pra cima de Afonso Lobo e diz ter uma relação profissional com Mouhamad

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Após faltar em quatro sessões no plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE), o secretário de Estado da Saúde, Pedro Elias, finalmente compareceu na Casa para prestar esclarecimentos sobre o caos na saúde pública estadual e o desmantelamento pela Polícia Federal (PF) de um esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 120 milhões dos cofres públicos. Pedro Elias jogou a reponsabilidade sobre a falta de pagamentos de fornecedores e servidores terceirizados pra cima do secretário de Fazenda, Afonso Lobo, ao dizer que o repasse de recursos não depende da Susam, mas sim da Sefaz.

O secretário, diante dos questionamentos sobre os desvios de dinheiro da saúde apontados pela PF, se resumiu em falar de forma lacônica, sem entrar em detalhes e dar maiores informações. Ou ele não sabia de nada, ou não tinha responsabilidade alguma já que, segundo suas próprias palavras, não foi quem assinou os contratos com as empresas investigadas na Operação Maus Caminhos – mas também não quis, nem por reza braba, apontar os responsáveis.

pedro-elias-na-assembleia-2Ao se deparar com perguntas ligadas as escutas telefônicas feitas pela PF na Operação Maus Caminhos onde parece ter uma relação muito próxima com o chefe do esquema de corrupção na saúde, Mouhamad Mustafá, o secretário Pedro Elias faz cara de quem dá pouca importância a esse fato, como por exemplo ao dizer que costuma tomar café a caminho da secretaria de Saúde – essa foi explicação para tomar café na casa de Mouhamad.

Ele classifica sua relação com Mouhamad Mustafá como “profissional” e declarou, dando explicações curtas e grossas:  “Eu não sei sequer onde fica esse hotel em são Paulo – em escuta telefônica Mouhamad aparece falando sobre pagar hotel para o secretário. No caso do café da manhã, ele diz que costuma tomar a caminho da secretaria. Em relação a contato pelo telefone, eu faço isso com todos os fornecedores de serviços desde quando comecei minha gestão que iniciou em julho do ano passado e é por isso que respondo”, declarou Pedro Elias, acrescentando: “Eu conheci o Mouhamad e o contato que tinha com ele era em relação aos serviços para não paralisar os atendimentos. É leviano ficar me acusando por uma situação como essa”, disparou.

Um foge, outro se irrita

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado e candidato a vice-prefeito de Manaus na chapa de Marcelo Ramos (PR), o deputado Josué Neto (PSD), esteve presidindo a sessão plenária até o secretário de Saúde de Melo ser anunciado. O próprio Josué Neto interrompeu os trabalhos legislativos para que começasse a sabatina com o secretário e, logo depois, lá veio a chamada “dança das cadeiras” onde Neto levanta, Belão senta e Neto toca o pé na carreira desaparece sem deixar vestígios.

Já Belarmino Lins, presidente em exercício – pelo jeito para esse tipo de exercício, né gente? – que também é vice-presidente da Casa e ainda líder do PROS do governador professor Melo no Legislativo – ufa! Cansei de tanto dizer os cargos do Belão – não estava pra graça como de costume. Parecendo estar com os nervos à flor da pele, Belão interrompia a fala dos colegas e dava respostas em tom de irritação aos demais parlamentares.

pedro-elias-na-assembleia-5Belão não se comoveu com as queixas dos mais de 300 trabalhadores terceirizados da saúde que estavam na galeria da Assembleia e gritavam pedindo que os salários atrasados fossem pagos. Ele não deu permissão para que nenhum deles falasse da tribuna da Casa e fizesse perguntas ao secretário, mesmo os deputados José Ricardo e Alessandra Campelo solicitando que a palavra fosse concedida a pelo menos um representante dos trabalhadores.

Terceirização e Corrupção

pedro-elias-na-assembleia-6Pedro Elias pegou a deixa do discurso do ex-prefeito e deputado Serafim Correa (PSB), tentada levar para o lado da terceirização as falhas de funcionamento do sistema público de saúde.

Mas, assim que lhe foi dada a palavra, a deputada Alessandra Campelo afirmou que o problema não é a terceirização, mas sim a corrupção na saúde.

Ela questionou os contratos com as empresas envolvidas na operação ‘Maus caminhos’, da Policia Federal, e criticou o secretário de saúde. Apesar da ida de Pedro Elias a Casa, Alessandra reclamou “Ele veio aqui só disse que não sabia de nada. Isso não me satisfaz. As pessoas estão morrendo nos hospitais, doentes e ele ainda dá umas entrevistas antes de vir aqui dizendo que está com a mente tranquila. Eu não fico tranquila com pessoas morrendo por um descaso na saúde”, disse.

Alessandra criticou também os parlamentares governistas que, segundo ela, só fazem discursos, mas não assinam o pedido de CPI para investigar os contratos do governo com as empresas terceirizadas.

Promessa não cumprida

pedro-elias-na-assembleia-4Os trabalhadores que estavam na ALE na manhã de hoje garantem que não receberam o dinheiro que foi prometido pelo líder do governo na Casa, o deputado evangélico, David Almeida. O parlamentar havia afirmado na semana passada que o pagamento do salário do mês de agosto seria efetuado na ultima sexta-feira (21) e o salário do mês de setembro dez dias depois do pagamento de sexta-feira.

Vários trabalhadores disseram ter recebido apenas R$ 100 outros R$ 300. Ou seja, pessoas que deveriam receber R$ 1,6 mil receberam apenas 10% do valor de seus salários.

A intensivista de UTI, Isabele de Lucena, afirmou que, no caso dela, não foi depositado nenhum real dos quatro meses que ela está sem receber. O Enfermeiro Ismael Mesquita, que estava representando os trabalhadores afirmou que apenas 20% deles recebeu algum valor do Estado, porém, foram repassados uma quantia abaixo do que é de direito. “Disseram que nos pagariam na sexta-feira. É só um mês e nem isso pagam de forma correta”, disse.

Pedro Elias, por sua vez, afirmou que a informação que ele tem é que a quantidade de pessoas que recebeu é maior. Segundo ele, foram pagos 60% dos funcionários terceirizados. Em relação aos valores irrisórios, o secretario apenas disse que a Susam tem dificuldades de fazer o pagamento direto para os funcionários.

“É uma situação excepcional, pois nós estamos tendo que fazer os pagamentos diretos aos funcionários. Precisamos ter os dados dos funcionários e nós estamos nos empenhando nisso”, afirmou.

Pedro Elias contou que o governo já estuda novos contratos com empresas terceirizadas. “Estamos buscando trabalhar com outro grupo, com a formatação de novos projetos bases. São mais de 60 projetos (empresas). O grupo vai passar pela Procuradoria Geral do Estado para entrar conforme a lei”, destacou Elias sem revelar quais as novas empresas que podem ter contratos com o governo. (Any Margareth e equipe do Radar)