Pelo direito de ser feliz! E infeliz também se tiver vontade!

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Vendo a crônica esportiva nos principais canais de TV, nas últimas 24 horas, retirei das declarações de um jornalista espanhol – desculpem não ter gravado o nome – ensinamentos que gostaria de ter ouvido de jornalistas brasileiros. Quem sabe o dito popular, aquele que diz que “quem está fora da situação, ver melhor, do que aquele que está envolvido na questão”, não esteja certo e, por isso, um europeu conseguiu ver claramente o que acontece com o povo brasileiro em tempos de Copa do Mundo. Disse ele, em espanhol, é lógico, mas totalmente compreensível por conseguir expressar sentimentos que vão além das palavras: “Quando os europeus  viram as manifestações de protesto no Brasil, se assustaram, e perguntavam como podia um povo que vivia rindo, dançando, fazendo festa, que apesar de todas as dificuldades, inexplicavelmente, parecia sempre ser feliz, decidir demonstrar toda a sua infelicidade, toda a sua revolta, no momento em que se faz a Copa do Mundo no País do Futebol?”. E, o mesmo jornalista, arrematou: “Como se o brasileiro não tivesse direito de ser infeliz”.

Quem dera se aquele cara pudesse ouvir aquilo que eu estava pensando. Esse cara é demais. Porém, ele não parou por aí. Falou da confusão que se tem feito entre a revolta demonstrada pelo povo na rua e a realização da Copa do Mundo no Brasil. “Tá na cara que o povo brasileiro não está contra a Copa do Mundo, ou contra sua seleção. O povo se revolta porque roubaram seu dinheiro, não cumpriram o que foi prometido. Essa Copa está se realizando com um monte de problemas, e está sendo salva pelo próprio povo brasileiro, com sua alegria, com seu jeito hospitaleiro e alegre. O sucesso dessa Copa ficou nas mãos do povo daqui e o povo está fazendo ser um sucesso”, disse o estrangeiro.

Nesse momento, deu vontade de entrar na televisão e dar um abraço nesse cara. Nunca se disse tantas verdades. É só lembrar que teve cronista – e vou me dar o direito de xingar de idiota – argentino dizendo que sua seleção ia ser hostilizada no Brasil. E o que se viu foram mais de seis mil pessoas num treino da seleção argentina, gritando o nome dos jogadores e vibrando com qualquer “jogadinha” de Messi, que pareceu até assustado diante da recepção. Mas, depois entrou em ritmo de farra com os brasileiros e deu de presente seu casaco para um fã que invadiu o treino. Assim como emocionou saber  – assumo que nem sabia que no Brasil tinha colônia croata – que em São Paulo em dois bairros próximos, brasileiros e croatas vão assistir o jogo juntos, e torcer pelos seus respectivos países, tudo na maior paz e festa, é lógico.

E pra concluir, o dito jornalista espanhol, que podem ter certeza vou procurar saber o nome porque virei fã incondicional, disse que a Copa no Brasil, mais precisamente o povo brasileiro, com direito a manifestações contra e esculhambação no tal “Padrão Fifa” está provocando reflexões mundiais sobre as exigências absurdas e magalômanas de um Federação Internacional de Futebol que parece “viver numa bolha”, estar num outro planeta, onde países com tantas limitações financeiras, têm que investir em estruturas milionárias, apenas para que sejam aceitos como países sede. O “mundo da bola”, do futebol arte,  que ensina solidariedade e paz, não precisa do Padrão Fifa para ser perfeito. Só precisa de um povo igualzinho ao nosso. E viva o povo brasileiro! (Any Margareth)