Perseguição a deputada tem relação com os mandantes do assassinato de Alexandre

A deputada estadual Alessandra Campelo (PMDB) afirmou na tarde desta segunda-feira (20), que as provas do inquérito apontam o ex-Comandante da Polícia Militar do Amazonas, Coronel Marcus James Frota Lobato, e o irmão do governador José Melo (Pros), Evandro melo, ex-secretário de Administração do Estado, como os mandantes do assassinato do militante do PDT, Alexandre César Ferreira Gomes, o “Alex”, morto com sinais de tortura e execução, em fevereiro do ano passado.

Alessandra Campelo explicou que tomou a iniciativa de expor o envolvimento dos dois, porque está sendo vítima de perseguição política e teme pela sua vida, da sua família e a vida de seus colaboradores. “Após orientação dos advogados e até de membros do Ministério Público Federal, resolvi contar o que está acontecendo porque assim o caso se torna público e quem sabe isso não faça parar essar perseguição”, diz Alessandra.

A deputada é uma das mais atuantes na tentativa de desvendar as motivações do assassinato de Alexandre César Ferreira Gomes. Ela foi procurada por familiares da vítima e de dois presos que estariam envolvidos no crime, que denunciaram o envolvimento de pessoas do alto escalão do Governo do Estado no caso.

“O que eu percebo e credito essa perseguição, foi o envolvimento direto do então secretário de Estado e irmão do governador, Evandro Melo, e do ex-comandante da Polícia Militar, Coronel Frota. Segundo essas pessoas me relataram ele (Frota) tem envolvimento com uma banda podre da PM que faz serviços sujos, inclusive crimes de execução. É um crime de assassinato que envolve o alto escalão do governo. O irmão do governador e o ex-comandante da PM”, afirma Alessandra Campelo.

A deputada entregou à imprensa, cópias do relatório final de investigação da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) enviadas à 1ª Vara do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), que investigou o homicídio de Alexandre César Ferreira Gomes, morto com um tiro na nunca pelo policial militar Edmilson Pimental. Veja documentos abaixo.

A deputada ainda afirma que investiga uma possível proteção ao ex-Comandante James Frota e ao ex-secretário Evandro Melo, visto que os dois nunca foram colocados como investigados no processo, mesmo com farta denuncia do envolvimento deles no caso.

“Há três pedidos dentro do processo pedindo que eles (Evandro Melo e James Frota) sejam investigados e possivelmente indiciados, afirmando que eles têm envolvimento com o crime. E houve uma proteção que estamos investigando se foi por parte da Justiça ou influência política do Governo do Estado. Que é o que nos parece”, afirmou Alessandra Campelo.

De acordo com o relatório da DEHS (veja documentos abaixo) a motivação do assassinato ficou esclarecida como “política”, uma vez que Alexandre, “era envolvido no meio político e tinha por hábito gravar, filmar, bem como angariar provas de situações em que estariam envolvidas pessoas do meio político, autoridades, para fim tanto de denunciar, quanto para trocar por ‘favores’, mantendo-se vivo no meio”, diz o relatório.

A deputada, de posse dessas informações e sem acreditar na “conclusão” da polícia, disse que procurou o procurador-geral do Ministério Público do Estado (MPE), Fábio Monteiro; a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), e também conversou com pessoas ligadas ao Governo do Estado, para questionar as falhas na investigação que deixaram de fora os nomes do ex-Comandante James Frota e do ex-secretário Evandro Melo.

Após essas conversas com as autoridades a deputada afirma que passou a ser seguida nas ruas por carros com placas frias e a temer pela própria vida.

“A partir daí carros com placas frias começaram a seguir a mim e a membros da minha equipe que estão assustados. Fui avisada por pessoas ligadas a inteligência da Procuradoria Geral da República no Amazonas que eu deveria reforçar minha segurança com urgência porque as pessoas investigadas são pessoas perigosas. E eu tive que reforçar minha segurança e hoje ando com dois policias militares me acompanhando e meu carro agora é blindado”, disse a deputada.

O CASO A CRÍTICA

A deputada Alessandra Campelo afirmou que também é vítima de perseguição impetrada pelo jornal A Crítica que em matéria no último domingo (19) disse que a Controladoria Geral do Estado (CGE) encontrou fraude na Secretaria De Estado de Juventude e Lazer (SEJEL), quando a deputada era titular da pasta.

“A matéria de capa do jornal A Crítica se trata de um convênio que eu assinei, mas sequer acompanhei a execução, porque após a assinatura do convênio, 20 dias depois, eu sequer era secretária de Estado. O pagamento, conforme mente o jornal, a segunda parcela não foi paga por mim. E quem aprovou a prestação de contas e garantiu que o convênio tinha sido executado foi uma equipe nomeada pelo governador José Melo, na qual era chefe da equipe, um concunhado dele, senhor Ricardo Marrocos”, rebateu a deputada. (Da equipe do Radar)

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