Pessimismo com economia sob Bolsonaro bate recorde e supera o registrado com Dilma, diz Datafolha

(Arquivo) O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes (Crédito: AFP/Arquivos)

Dois em cada três brasileiros dizem que a situação econômica do país vai piorar, percentual recorde registrado pela pesquisa Datafolha. De acordo com o levantamento, em dezembro, 41% dos brasileiros tinham essa expectativa. Agora, são 65%.

No sentido inverso, caiu de 28% para 11% o percentual daqueles que esperam uma melhora no cenário econômico, segundo o levantamento realizado nos dias 15 e 16 de março.

O recorde negativo anterior da série de pesquisas com essa pergunta, iniciada em 1997, eram os 60% registrados em março de 2015, durante a recessão iniciada no governo Dilma Rousseff (PT).

O pessimismo é maior entre as mulheres (71%) do que entre os homens (59%); no Sul (68%) e Sudeste e Nordeste (66%) do que no Norte/Centro-Oeste (59%).

A expectativa de piora chega a 72% entre os desempregados e a 69% entre os funcionários públicos. Fica em 65% entre as pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos e sobe para 67% entre os com renda superior a dez salários. Atinge 67% entre os que receberam auxílio emergencial em 2020 e cai para 64% entre os que não pediram o benefício.

Entre aqueles que acham que a situação do país vai melhorar, os maiores percentuais estão entre estudantes (18%) e empresários (17%), moradores do Norte/Centro-Oeste (14%), que dizem não ter medo do coronavírus (17%) e/ou que avaliam o presidente como ótimo/bom (18%).

A piora na expectativa sobre a situação econômica do país se dá em um momento de agravamento da crise sanitária, com recordes de mortes, novas medidas de restrição de circulação e atraso no cronograma de vacinação.

O sucesso da vacinação é apontado pela própria equipe econômica do governo Bolsonaro como única política capaz de recuperar a economia.

Apesar da expectativa de que a economia brasileira cresça 3,5% em 2021, após a queda de 4,1% registrada em 2020, esse número não representa efetivamente uma melhora.

Em primeiro lugar, se a economia ficar estagnada o ano todo, no mesmo patamar do último trimestre de 2020, já terá um crescimento de 3,6% na média do ano. Continuará, portanto, abaixo do nível anterior à crise atual, que já era inferior ao ponto mais alto da atividade, antes da recessão de 2014-2016.

Além disso, é esperada uma piora nos indicadores de renda, emprego e inflação, entre outros índices que refletem mais diretamente para as pessoas as condições econômicas.

Conforme mostrou o novo levantamento, a avaliação do governo Bolsonaro desceu aos mesmos níveis de maio e junho de 2020, os piores de seu governo, diante dos problemas na gestão da crise sanitária e de seus efeitos na economia.

A pesquisa foi realizada antes de o Banco Central anunciar o primeiro aumento da taxa básica de juros em seis anos e dizer que a Selic deve continuar subindo nos próximos meses, devido ao risco de descontrole inflacionário, apesar da economia ainda fraca.

O levantamento mostrou que a piora da crise sanitária, com seus efeitos econômicos, afetou diretamente a popularidade de Bolsonaro desde o começo deste ano. As rejeições ao presidente, tanto no aspecto geral quanto no que se refere ao seu manejo da pandemia, estão em níveis recordes: 44% e 54%, respectivamente.

Segundo o Datafolha, caiu para 50% o percentual da população que não quer que o Congresso abra um processo de impeachment contra Bolsonaro, enquanto 46% se dizem favoráveis à medida em meio à deterioração da pandemia no país.

A pesquisa telefônica Datafolha ouviu 2.023 brasileiros em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para baixo ou para cima.