“Petrobras é a maior arrecadadora de impostos do Amazonas”, diz Serafim lamentando a saída da empresa do Estado

 


O deputado estadual e economista Serafim Corrêa em áudio enviado ao Radar, classificou como lamentável a notícia de que a Petrobras está deixando o Amazonas. Serafim lembrou que a Petrobras é a maior empresa da América Latina e é a maior arrecadadora de impostos do Amazonas. A paralisação das atividades da empresa no Estado, segundo Serafim, vai trazer “consequências não muito boas para o Amazonas”.

“Neste primeiro momento, ela vai encerrar sua operação no Campo de Urucu onde ela retira petróleo e gás. Quem vai comprar não sabemos. É um processo de desestatização que ela está fazendo. Isso, para nós, ao meu ver, traz consequências não muito boas”, previu o parlamentar, acrescentando: “Num segundo momento, vamos assistir a venda da refinaria de Manaus. Quem vai compra também não sabemos. Mas o fato é que a Petrobras ela é a maior empresa da América Latina e é a maior arrecadadora de impostos do Estado do Amazonas”.

Mas se há para o Estado uma perda econômica preocupante, Serafim vê o que ele chamou de “outros significados” alarmantes. “Tem o significado de sinalização para o mercado quando a maior empresa do Brasil está saindo de um Estado, ela deve ter um acúmulo de razões para fazer isso e isso tem consequências, tem reflexos na vida das outras empresas e na vinda e outras empresas para o Amazonas”.

Serafim contou que há anos existe o que ele chamou de litígio (ação ou controvérsia judicial) que se arrasta e que envolve, de um lado, Governo – ler Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e Procuradoria Geral do Estado (PGE) – e Petrobras do outro, e que deveria ter sido resolvida.

“O Estado sempre entendia que a Petrobras tinha que pagar mais imposto do que ela pagava e nunca se chegou ao meio termo, ao entendimento, como era de se esperar. Isso foi muito ruim e, já em 2018, eu ouvi de um diretor da Petrobras na Assembleia Legislativa que a Petrobras estudava essa hipótese de sair do Amazonas pelas hostilidades das quais ela era vítima. Eu fico muito preocupado com os reflexos diretos de tudo isso, mas pior ainda com os reflexos indiretos, pela repercussão que isso vai ter perante outras empresas que poderiam vir para o Amazonas”, expicou Serafim.

O Radar reproduz ainda conversa com o deputado Serafim Corrêa, através de mensagens pelo WhatsApp, com considerações que consideramos importantes sobre o anunciado fim das operações da Petrobras no Amazonas.

Radar: Como ficam os municípios mais dependentes do setor de gás?

Serafim: Os royalties vão cair. O tempo mostrará.

Radar: É importante que já tivesse sido aprovada a chamada “Lei do Gás”?

Serafim: Sim! E acredito que o bom senso haverá de prevalecer. Manter o pedágio em favor do baiano Carlos Suarez (verdadeiro dono da Cigás) é um absurdo.

Radar: E o que as autoridades do Estado podem e devem fazer urgentemente para tentar minimizar o impacto da saída da Petrobras do Estado?

Serafim: Em primeiro lugar tentar estabelecer um canal de diálogo com a Petrobrás e tentar aparar as arestas e tentar que ela reveja essa decisão.