PF conclui 2º dia de depoimentos em Curitiba de presos na Lava Jato

lava

A Polícia Federal concluiu no fim da tarde deste domingo (16) a segunda fase do colhimento de depoimentos dos presos na sétima etapa da Operação Lava Jato, segundo a assessoria da corporação. A PF, porém, não divulgou quantos investigados depuseram. Ao todo, 23 pessoas estão presas na Superintendência de Curitiba (PR), sendo 17 em prisão temporária (com prazo de cinco dias) e seis, na preventiva (sem prazo de liberação previsto).

Nesta manhã, parte dos presos foi levada ao Instituto Médico-Legal (IML) da capital paranaense e submetida a exame de corpo de delito. O micro-ônibus e a van que transportaram os suspeitos ao IML foram escoltados por viaturas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da PF. O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e os presidentes das construtoras UTC, Ricardo Pessoa, e OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, são alguns dos presos que foram fazer a perícia neste domingo.

Ao longo deste domingo, diversos advogados estiveram no prédio da superintendência da PF em Curitiba e levaram, assim como neste sábado (15), alimentos, casacos e medicamentos. Eles evitaram fazer declarações à imprensa.

De acordo com a assessoria da Polícia Federal, a expectativa é que os depoimentos sejam colhidos até a próxima terça (18). Segundo o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), Juliano Breda – responsável pela defesa de três presos ligados à OAS –, os responsáveis pela defesa receberam cronograma com a ordem dos depoimentos.

Além dos 23 presos (veja a lista com os nomes), há outros dois investigados que estão foragidos. Fernando Soares, conhecido como “Fernando Baiano”, e Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA), não se entregaram à Polícia Federal, apesar de terem tido os mandados de prisão temporária expedidos pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância.

Lava Jato

A operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e provocou desvio de recursos da Petrobras, segundo investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Na primeira fase da operação, deflagrada em março deste ano, foram presos, entre outras pessoas, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

A nova fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras que somam R$ 59 bilhões. Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da Polícia Federal. Ao todo, foram expedidos, nesta sétima etapa, 85 mandados em municípios do Paraná, de Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Pernambuco e do Distrito Federal.

Conforme balanço divulgado pela PF, além das 23 prisões, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão. Também foram expedidos nove mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir à polícia prestar depoimento), mas os policiais conseguiram cumprir seis.

‘Mudar o Brasil’

Neste domingo, após participar da Cúpula do G20 na Austrália, a presidente Dilma Rousseff comentou pela primeira vez as prisões na nova etapa da Operação Lava Jato. Em Brisbane, onde participou das reuniões do grupo que reúne as 20 principais economias do mundo, Dilma afirmou que as investigações podem “mudar o Brasil para sempre”.

“Eu acho que isso [investigações da Lava Jato] pode mudar, de fato, o Brasil para sempre. Em que sentido? No sentido de que vai se acabar com a impunidade. Nem todos, aliás, a maioria absoluta dos membros da Petrobras, os funcionários, não é corrupta. Agora, têm pessoas que praticaram atos de corrupção dentro da Petrobras”, disse a presidente da República.

Durante a entrevista, Dilma ressaltou que, na visão dela, é necessário tomar cuidado para não “condenar” a Petrobras pelos atos de corrupção cometidos por alguns funcionários da estatal. A presidente destacou ainda que o fato de a Lava Jato ter colocado atrás das grades “corruptos e corruptores” é uma questão “simbólica” para o país.

Fonte: G1