PF localiza 46 ligações pelo WhatsApp entre Aécio e Gilmar

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) e um número registrado como sendo do ministro Gilmar Mendes, do supremo Tribunal Federal (STF), fizeram 46 ligações via Whatsapp entre fevereiro e maio de 2017, segundo relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo e tornado público no sistema da Corte no último dia 11. A maior parte dos contatos ocorreu entre março e maio, período em que o tucano já estava sendo investigado na Suprema Corte sob suspeita de receber propina da JBS. As informações foram divulgadas, nesta quinta-feira (19), pelo site de notícias UOL.

Conforme a matéria do site, cinco aparelhos foram apreendidos na operação Patmos da PF, no dia 18 de maio. São três celulares, um tablet e um computador.  “No material analisado, embora sem conteúdo probatório correlacionado aos fatos sob investigação (Operação Patmos), destacam-se os registros verificados nos aparelhos celulares utilizados pelo Senador Aécio Neves, nos quais se evidencia os seus contatos frequentes com o Ministro do STF, Gilmar Mendes, relator de quatro inquéritos em que ele aparece como investigado”, diz conclusão do relatório da PF.

De acordo com a matéria, das 46 ligações, 38 foram registradas em um aparelho de Aécio e outras oito em um segundo modelo periciado. O terceiro celular apreendido não contém registros de ligações entre o senador e o ministro do STF. As ligações e tentativas de ligações feitas via WhatsApp, no entanto, não foram interceptadas pela PF. Sem contar com a gravação na memória interna do celular de Aécio, não foi possível saber o conteúdo das conversas.

“Considerando-se que assim como em ligações normais, via operadoras telefônicas, as realizadas por intermédio do aplicativo citado não ficam gravadas no aparelho utilizado, a não ser no caso de mensagens escritas ou de áudio, o que não é o caso, não é possível conhecer a finalidade ou o contexto em que houve essas ligações, restando tão somente evidenciado a frequência de contato entre as autoridades em questão”, diz trecho do relatório.

Os investigadores chamam a atenção para uma chamada realizada em 25 de abril. Nesta data, Gilmar Mendes ordenou suspender o interrogatório que o senador deveria prestar à PF relativo à ação em que se investiga corrupção em Furnas.

No dia da decisão, foram registradas do celular de Aécio cinco tentativas de ligação e uma conversa de 24 segundos. A defesa de Aécio nega que o senador tenha tratado do assunto diretamente com o ministro.  A PF afirma não poder confirmar que a suspensão do interrogatório teria sido o tema da conversa entre os dois, embora, destaque “a coincidência desses contatos”. “Embora não sendo possível afirmar que as ligações havidas no dia 25/04/2017 tenham relação com o requerimento protocolado nesta mesma data pelo advogado do senador Aécio Neves e deferido neste mesmo dia pelo Ministro Gilmar Mendes, é de se destacar a coincidência desses contatos”, traz o relatório.

Além dos registros das ligações entre Aécio e Gilmar Mendes e de contatos entre o senador e o empresário Joesley Batista, nos aparelhos confiscados pela PF encontram-se documentos referentes ao Senado e trechos de delações relacionadas a inquéritos em que Aécio investigado.

Em nota, o advogado do senador, Alberto Toron, afirmou que Aécio mantém “relações formais” com Mendes e que, como presidente nacional do PSDB, ele manteve contatos com o ministro, que é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), “para tratar de questões relativas à reforma política”.

Afastado do Senado por decisão da Primeira Turma do STF desde setembro, Aécio Neves retornou à Casa na última quarta-feira (18), um dia após a maioria dos senadores revogar a decisão da Corte. A decisão foi possível graças a um entendimento do próprio STF do último dia 11, de que medidas cautelares aplicadas a parlamentares pelo Supremo deveriam ser autorizadas pelas Casas Legislativas. A votação no STF terminou com 6 votos a 5, com Gilmar Mendes entre os vencedores. “Contatos frequentes” No relatório, a PF destaca que Gilmar Mendes é relator de quatro dos sete inquéritos que investigam o tucano no STF.