PF não descarta presença de funcionários do alto escalão do Governo em esquema de corrupção na saúde pública

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Durante entrevista coletiva, realizada nesta terça-feira (20), na sede da Superintendência da Polícia Federal do Amazonas, com os delegados que estão à frente das investigações da Operação “Maus Caminhos”, jornalistas de vários veículos de comunicação questionaram se poderia haver o envolvimento do atual secretário de Estado de Saúde, Pedro Elias, assim como do ex-secretário Wilson Alecrim, no esquema de corrupção que, de 2014 até os dias atuais, já teria desviado mais de R$ 112 milhões do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas. Os jornalistas também contaram aos delegados da PF que teriam recebido informações que entre os investigados no esquema de corrupção estaria a irmã de uma ex-primeira-dama do estado.

Por várias vezes, os policiais se negaram a dar qualquer informação sobre os envolvidos que estavam presos ou sobre os locais onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão. “A gente não divulga nome de alvos das medidas que foram cumpridas hoje”, disse um dos delegados. Mas, diante da insistência dos repórteres, outro delegado arrematou: “Deixa eu tentar explicar pra vocês. Não há pessoa com foro privilegiado sendo investigada. Isso não quer dizer que, dos fatos que estão sendo apurados, nas investigações que estão sendo feitas, não surjam pessoas com prerrogativas (de função) – cargos com foro privilegiado como por exemplo secretários de Estado – que levem para uma investigação criminal”.

Ele deu a entender que podem ocorrer as chamadas delações premiadas onde, em troca de redução de pena, acusados decidem dar mais detalhes sobre o esquema de corrupção, inclusive apontando outros envolvidos. “Temos aí análise documentais, interrogatórios que estão sendo realizados hoje, e alguns estão dando sinais que vão contribuir com as investigações”, disse o delegado.  (Any Margareth)