Pintor é condenado a 57 anos de prisão por morte de irmãs Yoshifusa

acusadopintor Antônio Carlos Rodrigues Silva Júnior, mais conhecido como Tartaruga, foi condenado a 57 anos de prisão por estuprar e matar a facadas Renata de Cássia Yoshifusa, de 21 anos, e Roberta Yuri Yoshifusa, de 16 anos. A sessão do júri teve duração de cerca de 8 horas. O crime foi na noite do dia 11 de novembro de 2011, na casa onde as meninas moravam na Vila Oliveira em Mogi das Cruzes. Segundo a sentença, o pintor foi condenado por homicídio triplamente qualificado e estupro.

Para o empresário Sérgio Yoshifusa, tio das vítimas, o dia foi como a família esperava há muito tempo “Queríamos a pena máxima. Para a família deveria ser prisão perpétua ou que se não tivesse nenhum benefício. São 57 anos, mas sabemos que ele terá benefício”, disse.

O advogado de defesa, Elias Paz, ainda irá avaliar se recorrerá da sentença. “Já esperávamos esses anos de condenação. Agora precisamos ver se o réu vai querer recorrer”, disse.

O júri começou por volta das 13h30 e um dos depoimentos mais esperado era do réu. Ela falou depois que as testemunhas foram interrogadas. Diante do júri, a princípio, ele confessou o homicídio, mas disse que “algumas coisas faladas pelas testemunhas” não faziam sentido. O pintor relatou que no dia do crime estava conversando com a Renata na sala quando começou a passar mal. “Fui à cozinha e tomei meio copo de água e depois tive um apagão”. O réu conta que na época não se lembrou do que havia ocorrido. A única lembrança foi de ter acordado ferido no hospital.

No entanto, nesta quinta ele alegou ter se lembrado de tudo e começou a contar o que aconteceu naquele dia, com detalhes. “Após tomar água eu peguei um castiçal na mão esquerda e uma faca na direita. Fui três vezes em direção à Renata que estava no sofá da sala, mas voltei. Ela não percebeu. Na quarta vez a ataquei com golpes de faca. Ela não teve reação e caiu. Logo depois, a Roberta apareceu na escada e eu também dei um golpe nela. Depois coloquei a Renata sobre a mesa e a Roberta ficou no chão da cozinha. Com uma faca rasguei o vestido da Roberta e a deixei nua, mas não fiz nada. Depois liguei para a polícia”, confessou o réu. O pintor também conta que se feriu desferindo facadas em seu próprio corpo.

Testemunhas

O delegado responsável pelas investigações na época, Luiz Roberto Biló, o médico legista Zeno Morrone, que fez a autópsia das vítimas e o pai Nelson Yoshifusa foram os primeiros a serem interrogados. Em sua fala, Biló foi taxativo ao afirmar que a conclusão da polícia é que Silva Júnior foi o autor do crime.  Ele contou que conversou com o acusado no dia seguinte ao crime e que diante dos indícios, Tartaruga confessou os homicídios, mas negou agressão sexual.

O delegado disse ainda que ele não dizia a motivação do crime. “Pela investigação concluímos que a Renata foi a primeira vítima. A Roberta estava no andar de cima da casa, jogando vídeo-game com fone com um volume alto. Quando a polícia entrou na casa, o jogo estava pausado e percebemos o volume quando demos play no jogo. As vítimas foram encontradas seminuas. A Roberta estava no chão e a Renata em cima da mesa da cozinha”, detalhou Biló.  O delegado disse ainda que as provas de violência sexual nas vítimas é que ambas tinham lesão na área genital.  ‘Há mais de 12 anos na Delegacia de Homicídios poucas vezes vi casos com tanta voracidade’, conclui o delegado.

Em seguida o pai das meninas, Nelson Yoshifusa foi chamado para depor. Ele pediu a retirada do réu do júri durante sua declaração. Ele contou que a família tinha planos de mudar de casa e dias antes do crime decidiram começar a procurar uma nova casa para morar.
Segundo ele, como a casa em que moravam precisava de alguns reparos, Nelson ligou para Tartaruga, a quem chamava de Júnior, para pedir que fizesse alguns pequenos reparos. “Liguei para o Júnior e combinei que ele iria lá em casa naquele dia. Nós conhecíamos ele há anos e sempre o chamávamos para esses reparos e pinturas na casa”, disse.  Mais tarde, Rita Yoshifusa, esposa de Nelson e mãe das meninas, encontrou com Nelson na imobiliária para ver um novo imóvel e negociar a venda da casa da família. “Minha esposa disse para o Júnior ficar com as meninas, que depois nós levaríamos ele para a faculdade à noite”, explica. “Ainda liguei lá em casa quando cheguei na imobiliária, a Renata atendeu e disse que a mãe tinha acabado de sair”, disse o pai.

A terceira testemunha foi o médico legista Zeno Morrone. Ele destacou que lesões só ocorrem em vida e que durante os exames não foi possível dizer se houve conjunção carnal. No entanto, o médico afirmou que houve ato libidinoso.

Movimentação

Desde a manhã, uma fila se formou na frente do fórum de Mogi das Cruzes de interessados em assistir ao julgamento. A estudante de direito, Jessica Alves Barbosa, era a primeira da fila. Ela chegou no fórum às 8h na esperança de conseguir uma senha para assistir ao júri. “Vim porque precisamos para o curso assistir a um júri e também pela repercussão.Quando tudo aconteceu eu estava no primeiro ano de direito.”

Familiares e amigos das irmãs levaram faixas com as fotos de Renata e Roberta. A irmã de Rita de Cássia Damasceno Yoshifusa, mãe das meninas, segurava uma faixa pedindo justiça para a morte das sobrinhas. “Naquele dia eu estava na escola. Quando cheguei em casa meu pai estava passando mal quando soube. Hoje não tenho nem o que falar. É muito triste e difícil”, desabafa Rafaela Regina Damasceno.

Sandra Domingues é presidente de uma organização não-governamental (ONG) formada por familiares de vítimas de violência e ativistas. Ela também estava no fórum de Mogi das Cruzes. “O Nelson  e a Rita também fazem parte dessa ONG. Hoje pedimos pena máxima. Após a brutalidade, a covardia e a traição isso é o mínimo que a gente espera.”

O pai das meninas, Nelson Yoshifusa chegou ao fórum às 12h30. “Foi uma noite difícil e tumultuada. Não consegui dormir. Acredito que isso tudo vai ser uma reviravolta e no minimo acredito em pena máxima. Nunca vai ser aliviada a dor, mas espero sair um pouco mais aliviado pelo menos”.

Entenda o caso

yoshifusa.jpg-modificadaNa noite do dia 11 de novembro de 2011, Renata de Cássia Yoshifusa, de 21 anos, e Roberta Yuri Yoshifusa, de 16 anos, foram mortas a facadas. O crime ocorreu na casa da família, no bairro Vila Oliveira, área nobre de Mogi das Cruzes. Foi o pai das meninas, Nelson Yoshifusa, que as encontrou mortas na cozinha, assim que chegou do trabalho.

“Ele me ligou desesperado assim que chegou em casa. Foi uma ligação rápida, no máximo 2 minutos. A única coisa que falava era que as filhas tinham sido assassinadas. Fui correndo pra lá e quando cheguei vi aquela cena chocante”, diz Francisco Del Poente, delegado e amigo de Nelson, que ajudou nas investigações. No dia seguinte, Antônio Carlos Rodrigues Silva Júnior, de 30 anos, confessou o crime à polícia. “Ele demonstrou ser uma pessoa fria, e em nenhum momento pareceu arrependido”, conta Del Poente.

Além de esfaquear as jovens, o pintor também é acusado de estuprá-las. Laudos comprovaram a violência sexual. Antes de confessar o crime, o acusado deu uma primeira versão: a de que a casa havia sido invadida por três homens. Ele mostrou cortes no corpo para provar a luta corporal com os criminosos. A tese, no entanto, foi descartada pela polícia. Tartaruga está preso no Centro de Detenção Provisória de Mogi das Cruzes desde o crime.

Fonte: G1