Pipódromo vira Lei, mas resta saber onde colocarão os meninos e suas pipas

soltando pipa

Foi promulgado, portanto agora é Lei, na sessão plenária de hoje da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Projeto de Lei do vereador Gilmar Nascimento (PDT) que cria o Pipódromo, local reservado para a brincadeira de soltar pipas e papagaios de papel. Segundo o projeto, essas áreas destinadas exclusivamente a prática de soltar pipas serão determinadas pela Prefeitura de Manaus, assim como a administração municipal deverá colocar  fiscais nos bairros  para que haja o cumprimento da Lei, ou seja, os adeptos da brincadeira devem ficar apenas nas áreas demarcadas.

A iniciativa do vereador é louvável já que a brincadeira de soltar pipas já causou várias mortes, por causa da linha de cerol (mistura de cola e vidro moído) que torna-se perigosamente cortante. Motoqueiros desavisados chegaram a ser degolados pela linha de cerol.

Mas, como o pessoal aqui do Radar mora em bairros populares, onde nos finais de semana, as ruas são tomadas pelos meninos e suas pipas, além do que até as mulheres aqui do Radar, um dia meninas, já brincaram de pipa com seus irmãos, não há como não buscar resposta para coisas tão simples que envolvem essa brincadeira: Como o fiscal da Prefeitura vai segurar o menino que corre alucinadamente (sobem até nos muros e nas árvores) atrás do papagaio que acabou de cortar? Como a Prefeitura vai achar lugar em tudo que é bairro, alguns onde casas espremidas mal têm espaço pra ocupar, pra colocar esses meninos (e sem machismo meninas também) pra brincar de pipa? O que o fiscal vai fazer quando meninos, cujo instinto de brincar sem os freios morais dos adultos, mas sem a maldade dos “grandes” também, decidirem que vão sair do espaço do pipódromo? E na hora da flechada (ou frechada como falam os meninos da periferia), e um guri ficar “p” da vida porque o outro imbiocou (movimento pra cortar o papagaio) pra cima dele e partir pra briga, o que os fiscais devem fazer? Desapartar? Chamar os pais? Levar preso? Agora é esperar pra ver o que vão fazer com nossos meninos e suas pipas. (Any Margareth)