Planalto suspende indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixada nos EUA

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O Palácio do Planalto decidiu deixar em suspenso a indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, para assumir a embaixada brasileira nos Estados Unidos, em meio a uma crise política envolvendo o chefe de Estado e seu partido, o PSL.

A informação foi antecipada nesta quinta-feira (17) por Guilherme Amado, colunista da revista Época, e confirmada por outros veículos da mídia brasileira com fontes próximas ao governo.

Embora o anúncio da intenção da indicação tenha ocorrido há três meses, o início do processo formal no Senado vinha sendo postergado devido aos temores de falta de apoio ao nome de Eduardo entre os parlamentares, que precisam dar o aval para a escolha de Bolsonaro.

Numa sabatina na Casa, o filho do presidente teria de provar que é capaz de exercer o cargo em Washington, embora não tenha qualquer experiência diplomática.

Apesar de realizar um corpo a corpo no Senado para tentar angariar apoio em torno de seu nome, Eduardo não teria conseguido garantir sustentação para sua indicação e corria o risco de se tornar o pivô de uma amarga derrota para o presidente.

Segundo a imprensa brasileira, a suspensão da indicação seria vista pelo Planalto como uma “saída honrosa” para Eduardo. O presidente adotaria um discurso oficial de que desistiu de indicar seu filho para que ele pudesse permanecer na articulação política do governo, e que Eduardo teria a maioria do Senado a seu favor caso seu nome fosse submetido a uma votação.

Mas, segundo apurou o jornal Correio Brasiliense, Eduardo não conseguiria nem a metade dos votos dos 81 senadores.

Nesta sexta-feira, ao deixar o Palácio da Alvorada em Brasília, o presidente foi questionado por jornalistas sobre a indicação de Eduardo e negou que seus planos tenham mudado. “Por enquanto, sem alteração”, respondeu Bolsonaro.

Na véspera, o filho do presidente também negou que a decisão de suspender a indicação tenha sido tomada, contradizendo uma declaração que havia dado na quarta-feira, quando disse que a nomeação tinha ficado em segundo plano devido a sua tentativa de assumir a liderança do PSL na Câmara.

“Nem eu nem Jair Bolsonaro falamos nenhum fato novo sobre a embaixada. Parecem estar confundindo as coisas, querendo pôr mais lenha na fogueira”, afirmou Eduardo nesta quinta-feira à revista Crusoé.

No mesmo dia, a ala bolsonarista do PSL tentou dar ao deputado o posto de líder do partido na Câmara, em meio ao acirramento da crise entre o presidente e as lideranças da legenda. Contudo, após uma guerra de listas para definir o líder da bancada e a invalidação de assinaturas de parlamentares, os aliados de Bolsonaro acabaram derrotados.

A indicação de Bolsonaro é vista com bons olhos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os EUA já haviam formalizado seu aval para a nomeação do filho do presidente para o comando da embaixada brasileira no país. O cargo de embaixador em Washington está vago há quase dez meses.

Derrotas para Bolsonaro em disputa interna no PSL

Tudo isso ocorre em meio a uma barulhenta briga entre Bolsonaro e o presidente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE), pelo controle do partido. A crise interna eclodiu na semana passada com troca de farpas entre os dois.

Nesta quinta-feira, em meio à disputa pública, Bolsonaro sofreu duras derrotas. Dois filhos do presidente – o deputado Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) – foram destituídos dos comandos dos diretórios da legenda em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente.

Outro revés foi com a manutenção do deputado Delegado Waldir (GO) como líder da bancada do PSL na Casa. Na véspera, aliados do governo haviam tentado tirar Waldir do posto para entregá-lo ao deputado Eduardo Bolsonaro.

Segundo as regras da Câmara, a mudança do líder de um partido na Casa é oficializada com um documento direcionado ao presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) e assinado pela maioria absoluta dos parlamentares da legenda. O PSL tem atualmente 53 deputados.

Assim, uma lista com 27 assinaturas foi protocolada na quarta-feira pela ala bolsonarista, pedindo a substituição de Waldir por Eduardo. Segundo a imprensa brasileira, Bolsonaro atuou pessoalmente para influenciar o processo.

Ainda na quarta, o filho do presidente chegou a se pronunciar como novo líder da bancada no Salão Verde da Câmara. Mas não durou muito: aliados de Bivar logo protocolaram outra lista pela manutenção de Waldir, essa com 32 assinaturas.

Como as duas listas somavam 59 assinaturas, e o PSL possui somente 53 deputados, a área técnica da Câmara precisou fazer uma conferência dos documentos. Nesta quinta, após a contagem dos nomes, a Casa validou a lista em apoio ao Delegado Waldir, a única que continha assinaturas válidas de mais da metade dos deputados do PSL.