PMs suspeitaram que boné do Hulk usado por jovem fosse alusão a traficante 

Reprodução

Os policiais militares que abordaram o entregador Matheus Fernandes, no shopping Ilha Plaza, explicaram em depoimento prestado hoje que houve a suspeita de que um boné do Hulk fosse em alusão ao traficante Gilberto Coelho de Oliveira, que tem como apelido o nome do herói da Marvel.

O caso aconteceu na semana passada na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Vídeos indicaram que entregador foi agredido e ameaçado por dois homens após ter comprado um relógio, no valor de R$ 300, de presente para o pai dele numa loja do estabelecimento.

Para a família do jovem, trata-se de um caso de racismo.

“Eles [policiais] disseram que desconfiaram do Matheus não pelo fato de ele ser negro, mas porque usava um boné que fazia referência ao Hulk, alcunha de um traficante também conhecido como Gil “, explicou o delegado Marcus Henrique, titular da 37ª DP, ao Extra.

Segundo o delegado, os PMs disseram ainda que Matheus encarou ambos assim que passou e que suspeitaram de um volume na cintura do entregador — que depois foi confirmado ser uma carteira.

Eles ainda declaram, no depoimento, que perceberam que estavam sendo filmados e que ficaram com medo de que descobrissem que eram militares.

Matheus foi jogado no chão de uma escadaria, imobilizado e encurralado pela dupla. Segundo o jovem, ambos o acusaram de ter roubado o relógio assim que ele deixou a loja e até apontaram uma arma para seu rosto.

A família de Matheus afirma que o jovem foi vítima de racismo. O tio dele, Jaime Fernandes, que é advogado, já havia afirmado que os homens eram seguranças à paisana do shopping.

“Os seguranças do shopping, uniformizados, nada fizeram. Eles viram os caras armados e não chamaram a polícia. Parece pelas imagens que eles estão todos juntos. É um crime de racismo. Ele [Matheus] é mulato e vítima de dois homens brancos agredindo ele”, disse.