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Pode ser a gota d’água!?!?

Para certas “figuras” que adoram ver em tudo (e em todos) a apologia à violência e a teoria da conspiração, já antecipamos que, em nenhum momento (e em qualquer situação), a rapaziada aqui do Radar é adepta da violência. Aqui só tem gente do bem! Mas, o que está ocorrendo no país inteiro, com seguidos e violentos protestos contra o reajuste da tarifa de transporte coletivo, nos parece algo que já estava anunciado para acontecer. Ninguém pode dizer que não sabia da insatisfação de um povo que vem sendo, ano após ano, “massacrado” por um transporte coletivo de péssima qualidade, ônibus velhos e sujos, que demoram horas para passar nas paradas, motoristas e cobradores (não são todos) despreparados, que não têm a menor delicadeza para lidar com idosos, mulheres e crianças, super lotação dos coletivos, falta de fiscais para coibir esses abusos e garantir a segurança dos passageiros, e ainda uma tarifa que tem seguidos reajustes e que pesa (como pesa) no bolso do trabalhador assalariado. E a população, que já tinha conhecimento de incentivos fiscais dados aos empresários pelos Governos estaduais para que fosse contido o aumento no preço da tarifa (e a sanha desses caras pelo lucro descabido), ainda fica sabendo que o Governo Federal zerou as alíquotas pagas por eles do PIS e Confins, para que eles mantivessem o preço da passagem para os usuários mas, ao contrário, o preço foi reajustado. E, como diz a música de Chico Buarque, muito bem lembrada pelas cabeças pensantes e cantates da rapaziada aqui do Radar: “Deixe em paz meu coração. Que ele é um pote até aqui de mágoa. E qualquer desatenção, faça não! Pode ser a gota dágua”. Será que essa não foi a gota d’água que fez o “pote” da paciência do nosso povo transbordar?

Por um pouco de paz

ZANCHETTA

E, mais uma vez, esses homens e mulheres da imprensa se põem na linha de fogo para mostrar o que acontece longe das luzes das câmeras de televisão e dos flashs das máquinas fotográficas. Os fatos não existiriam se eles não estivessem lá, a história não seria contada e o povo não seria ouvido (nem visto). O Radar transmite essa mensagem para lembrar do fotógrafo Sergio Silva, que cobria o quarto dia da manifestação contra o aumento das tarifas na noite de ontem (14), em São Paulo, e foi atingido no olho esquerdo por uma bala de borracha. O fotógrafo segue internado e corre risco de perder a visão. Ao conversar com a mulher que também é jornalista, Sérgio, que é fotógrafo há quatro anos, contou que a polícia estava pouco tolerante com os manifestantes e com uma postura agressiva. O jornal “Folha de São Paulo” diz que teve 7 repórteres atingidos no protesto, entre eles Juliana Vallone (foto) e Fábio Braga, que levaram tiros de balas de borracha no rosto. Os jornalistas registraram, inclusive, o momento em que um policial dispara spray de pimenta no rosto de um colega de profissão, um cinegrafista. Para esses companheiros, o Radar emite sons da música “Sonho Impossível”, que eles da imprensa fazem ser possível: “É minha lei, é minha questão. Virar este mundo, cravar este chão. Não me importa saber se é terrível demais. Quantas guerras terei que vencer. Por um pouco de paz!” (Chico Buarque).

Polícia para quem precisa

E, depois dessa “guerra urbana”, quando ele estava em Paris, e não em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT), agora de volta a cidade, fez o seguinte comentário  “A polícia segue protocolos. Quando o protocolo é obedecido, as coisas caminham bem. No dia de ontem, segundo as imagens e os relatos, parece que esses protocolos não foram observados. Ontem também não ficou bem para a polícia, o secretário [Fernando] Grella abriu um inquérito para investigar os eventuais abusos. Isso não é uma questão da corporação, mas há indivíduos que precisam ser investigados em sua conduta”.

Pois pro prefeito de São Paulo, o Radar vai enviar a música dos Titãs: “Dizem que ela existe, pra ajudar. Dizem que ela existe, pra proteger. Eu sei que ela pode, te parar. Eu sei eu ela pode, te prender. Polícia para quem precisa! Polícia para de quem precisa de polícia”. E, nesse caso, e desse tipo de polícia, nem os manifestantes precisam, e muito menos a imprensa!

Sem música!

E, uma coisa ninguém há de contestar, sem as manifestações que estão ocorrendo, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ia continuar como diz a caboclada aqui do Radar “comendo abiu”. É incrível como essa gente consegue ficar impassível diante de um país que está literalmente pegando fogo. E, hoje ainda vem com a conversa “que estados e municípios desonerem os impostos incidentes na tarifa de transporte público, a exemplo do que fez o governo federal”. Mas, em Manaus, por exemplo eles já não têm isenções fiscais? E ninguém vai ter a coragem de mostrar para a população essas planilhas de custos (e lucros é lógico) desses empresários, com os cálculos que demonstram que eles realmente precisam de todos esses benefícios porque estão no prejuízo? Pra essa senhora, não tem nem música, só ser for a marcha fúnebre!