Polêmica do “Pirão”: pequenos empresários reclamam que Prefeitura banca festival a R$ 50 mil e ainda paga estrutura

Pirão foto barco

Há três dias o Radar recebeu, através de mensagens do WhatsApp reclamações de pequenos empresários do ramo de eventos de que a Prefeitura de Manaus estaria tirando o “pão da boca” deles. “Já há pouca oportunidade de trabalho e ainda a Prefeitura anda bancando tudo que é evento, assim fica difícil sobreviver”, está escrito em uma das mensagens, arrematando: “Mas, em ano eleitoral fazem de tudo pra ganhar voto!”. A polêmica envolveria a realização do denominado “Festival Pirão” que teve projeto aprovado pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), no valor de R$ 50 mil, para ser realizado no dia 13 de fevereiro, na Praia da Lua, durante o carnaval, para os fãs de músicos e bandas que só tocam criações próprias, a chamada música autoral.

Porém o festival não aconteceu e agora está programado para este final de semana, dias 05 e 06 de março, sábado e domingo. O organizador do evento, ex-líder comunitário, cantor da banda Pororoca Atômica e, segundo circula pela cidade, candidato a vereador nas próximas eleições, Denis Thaumaturgo, alegou que mesmo com o orçamento do Festival aprovado pela Prefeitura, ou seja, os R$ 50 mil, não havia recursos suficientes para realizar o festival no dia 13 de fevereiro – vale ressaltar que os músicos tocam de graça e, segundo informações que o Radar apurou, não têm sequer direito a transporte, alimentação, bebida, nenhum centavo de apoio logístico.

“Como são bandas que não tocam músicas de outros artistas e, por isso, fica difícil mostrarem seus trabalhos autorais, os músicos aceitam tocar de graça. Esse festival nasceu de uma ideologia de mostrar coisas novas, mostrar a produção do artista local. Mas, deveria ter pelo menos um mínimo de estrutura para os artistas e não cada um ter que dar seu jeito”, diz um dos músicos ao Radar, pelo telefone.

Além do que estava orçado, a Prefeitura de Manaus vai pagar a empresa Barrasom para instalar a estrutura de palco, iluminação e sonorização. “Nada contra a Barrasom, que é uma empresa séria, mas as licitações sempre são ganhas pelas mesmas empresas, e nós, os pequenos e médios empresários ficamos sempre de fora”, reclama um dos denunciantes.

Mudou de lugar

Outro questionamento feito através das denúncias dos pequenos empresários é que a Prefeitura estaria pagando por um evento, o Festival Pirão, que nem seria realizado em Manaus – a Praia da Lua estaria fora dos limites do município. Esse foi um dos questionamentos feitos pelo Radar a ManausCult, através da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) e, qual não foi a surpresa, quando às vésperas do festival, no dia de ontem, quinta-feira (03) veio a notícia da mudança de local da realização do Festival Pirão, desta vez para o “Sítio do Igor”, na estrada da Praia Dourada.

Pirão Facebook

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O anúncio da mudança de local está na página do Facebook “Pirão AM”:

A ManausCult, enviou e-mail ao Radar, onde diz que a fundação decidiu dar apoio ao Festival Pirão com base em “critérios”. Nota na íntegra:

“Informamos que o Festival Pirão AM tem o apoio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) por atender aos critérios abaixo listados:

– Agrega bandas de cunho autoral, o que permite a valorização dos artistas locais, evidenciando o interesse cultural da proposta;
– É um evento itinerante, que atende nossa política de difusão cultural;
– O apoio concedido é estrutural, por meio da empresa Barrasom, uma das vencedoras do edital de licitação homologado este ano. A empresa que fornece palco, som e iluminação é escolhida com base no porte do evento;
– É um evento gratuito, sem cobrança de ingresso

O evento atende aos nossos critérios de apoio tanto que chegou a ser aprovado pelo Edital de chamamento público de bandas e blocos de rua do Carnaval 2016”.