Polícia combate o tráfico no Amazonas: um garoto e um cachorro mortos e nenhuma droga

Tem uma pergunta que não quer calar e foi feita para o repórter do Radar por um morador do Cacau Pirêra, distrito que faz parte do município de Iranduba, distante cerca de 27 km de Manaus: “Por que a polícia não vem trocar tiro com traficante a noite?”, questiona

Mesmo com palavras desencontradas e sem explicar muito bem o que quer dizer, jeito de falar próprio de pessoas humildes e com pouca instrução escolar, dá pra entender onde quer chegar o vendedor de bananas que se diz vizinho e amigo de Danrley Sullivan que está preso sob acusação de porte ilegal de armas, já que a polícia não conseguiu encontrar um tiquinho sequer de drogas. Na mega operação policial para combater o tráfico de drogas, não foi encontrada droga alguma.

Danrley é padrasto de um menino, Gabriel Santos Lima, de 12 anos que foi morto a tiros de fuzil durante a operação policial. Os vizinhos dizem que Danrley nunca foi traficante e que Gabriel era um menino como outro qualquer. Eles denunciam que Danrley foi espancado antes de ser levado preso e que os policiais “plantaram” a arma no local pra justificar a operação violenta e criminosa da polícia.

E lá vem mais perguntas que não querem calar: – Como policiais podem achar que traficantes de drogas vão se expor em plena luz do dia? – bom lembrar que a operação policial foi por volta de uma e meia da tarde. E o que leva cerca de 17 policiais, armados de fuzil, já entrarem atirando numa comunidade ribeirinha? Como todo esse efetivo e esse armamento, estão com medo de quê, de um menino e de um cachorro?

E como é que ainda querem que os meninos pobres das comunidades ribeirinhas ou das periferias desse país vejam policiais como heróis?

Pra essas e tantas outras perguntas é difícil achar respostas. O que se sabe é que Gabriel, de 12 anos de idade está morto, um “bandido” tão perigoso que teve que ser abatido a tiros de fuzil por corajosos policiais que combatem o tráfico de drogas, mesmo sem achar drogas.