Polícia faz buscas em comunidade de Pelado, apreende remo e mira outros suspeitos no AM

Amarildo Oliveira é suspeito de participar do desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips, que não são vistos desde 5 de junho

Foto: João Alet/ AFP

Polícia Civil do Amazonas apreendeu um remo de madeira na comunidade São Gabriel, onde mora Amarildo Oliveira, o Pelado, o único suspeito preso até agora por suposta participação no desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

Policiais estiveram na comunidade, que fica às margens do rio Itaquaí, e vistoriaram casas de moradores.

Há outros suspeitos identificados na investigação e as evidências colhidas até agora reforçam a hipótese de que a pesca e a caça ilegal estão por trás de supostos crimes relacionados ao desaparecimento, como a Folha mostrou nessa segunda-feira (13).

No domingo (12), mergulhadores do Corpo de Bombeiros do Amazonas encontraram uma mochila e outros pertences pessoais do jornalista e do indigenista. Os objetos estavam amarrados numa árvore submersa, no rio Itaquaí, o que indica, segundo os bombeiros, intenção de ocultamento.

Foto: reprodução

Na Polícia Civil, o entendimento é que a localização dos pertences reforça a hipótese de que houve um crime.

A motivação mais provável, dizem investigadores, é o constante conflito entre pescadores ilegais e lideranças que atuam em defesa do território indígena —o local do desaparecimento fica a poucos quilômetros da entrada da Terra Indígena Vale do Javari.

Policiais também investigam um suposto financiamento da atividade ilegal de pesca e caça pelo narcotráfico na região, um problema comum em praticamente toda a tríplice fronteira do Brasil com Peru e Colômbia.

Se for confirmada a conexão com tráfico internacional de um eventual crime, o caso passará a ter natureza federal e será investigado somente pela PF.

As buscas foram retomadas na segunda (13), mas não houve novas descobertas.

Desaparecidos desde 5 de junho, Pereira e Phillips faziam uma viagem pela região próxima ao território indígena, o segunda maior do país, com 8,5 milhões de hectares, no extremo oeste do Amazonas.

Após visita a uma base da Funai no Lago do Jaburu, pararam na comunidade São Rafael para uma reunião com um pescador conhecido como “Churrasco” e conversaram com a esposa dele, já que o ribeirinho não se encontrava no local.

Em seguida, seguiram viagem pelo rio Itaquaí em direção a Atalaia do Norte (AM), mas desapareceram no trecho. Segundo a Univaja, o trajeto dura cerca de duas horas.

Os dois foram avistados por moradores da comunidade São Gabriel, situada mais adiante no trajeto pelo rio; mas já em uma terceira localidade, conhecida como Cachoeirinha, os relatos obtidos por equipes de busca indicaram que os moradores não os viram.