Polícia Federal e Inpa realizam Curso sobre Perícia em Tráfico de Animais Silvestres

Acontece no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTIC) a segunda edição do Curso de Perícia em Tráfico de Animais Silvestres. O curso é promovido pelo Instituto Nacional de Criminalística, Academia Nacional de Polícia e Superintendência Regional no Amazonas e teve início nessa segunda-feira (3) e vai até a sexta-feira (7).

Rodrigo Mayrink é perito criminal e organizador do curso, que foi criado por conta das crescentes apreensões de fauna silvestre na Amazônia. Somente neste ano mais de três mil toneladas de caça ilegal foram apreendidas, além de centenas de animais terrestres e lotes com milhares de peixes ornamentais retidos no aeroporto de Manaus e que iriam abastecer o mercado ilegal internacional.

De acordo com Mayrink o projeto acontece há cinco anos e aborda especificamente sobre animais silvestres de acordo com a necessidade da Polícia Federal. A atual edição veio pra Manaus abordar a identificação da fauna amazônica.

A maior parte da caça ilegal foi apreendida pela PF no Amazonas na região de Tabatinga, na divisa do Peru com a Colômbia, e na Região Metropolitana de Manaus. Os principais são mamíferos, como macacos, veados e porcos-do-mato. Segundo o coordenador do curso, existe a cultura da caça nas comunidades tradicionais amazônicas, mas a PF foca no combate a caça ilegal para fins comerciais, que é uma atividade ilegal pela lei brasileira.

A destinação dos animais apreendidos é um grande desafio para os órgãos ambientais brasileiros, por isso é importantíssima a parceria com instituições de pesquisa. Peixes apreendidos no aeroporto costumam ser destinados para estudos no Inpa, por meio de uma parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mas a ideia é ampliar para mamíferos, aves, répteis e outros grupos.

Convênio

O Inpa disponibilizou pesquisadores para atuarem como palestrantes do curso e vai alinhar as tratativas de um Termo de Cooperação Técnico-Científica com a PF para que as parcerias pontuais ganhem coesão e efetividade entre os órgãos. A instituição entende que para o combate à caça ilegal é preciso superar limitações de várias ordens, as organizações buscam com mais intensidade firmar a parceria para reforçar áreas de logística, fiscalização e conhecimento, como é o caso do curso.

“Esse Termo vai incluir intercâmbio de pesquisadores, de análises, de amostras de material apreendidas e principalmente o que está morto para ser incorporado às nossas coleções ou entrar como material para se fazer popularização da ciência”, destacou a diretora substituta do Inpa, Hillândia Brandão. “Quanto a material vivo precisamos ter cautela, porque nossos recursos são limitados”, completou.

Biodiversidade Amazônica

A pesquisadora do Inpa Vera da Silva destacou o esforço que o Inpa e parceiros (Ampa, MPF e Petrobras) fazem pela conservação dos mamíferos aquáticos da Amazônia, especialmente do boto-vermelho, que teve sua população reduzida drasticamente nos últimos anos em função da carne ser usada como isca na pesca da piracatinga. Esse bagre comercializado em forma de filé recebia até pouco tempo o nome de douradinha.

Algumas espécies de peixes de menor valor comercial como maparás, piranambu, mandube, mandi-moela, sierra cuca, usavam nome fantasia de douradinha ao serem comercializados em frigoríficos e supermercados de Manaus. Na verdade, o consumidor era enganado e 60% dos pacotes dos filés de peixes tinham piracatinga.

“Agora descobrimos também que o consumidor está comprando filé de surubim, que é caríssimo, mas levando para casa piracatinga”, revela Vera da Silva. “Se o filé de ‘surubim’ tiver 10, 15 centímetros de comprimento, o que é proibido por lei, desconfiem”, alerta da Silva.