Polícia Federal não encontra registro de inquérito aberto sobre compra de Covaxin

Bolsonaro usando máscara diante de um painel onde se lê "Ministério da Saúde"<br /> O presidente Jari Bolsonaro durante cerimônia no auditório do Ministério da Saúde, em Brasília - Pedro Ladeira - 1º.jun.2021/Folhapress

Bolsonaro usando máscara diante de um painel onde se lê “Ministério da Saúde” – Pedro Ladeira – 1º.jun.2021/Folhapress

A Polícia Federal não encontrou registro de nenhum inquérito aberto sobre compra da vacina Covaxin.

O deputado Luís Miranda (DEM-DF) afirmou ter alertado Jair Bolsonaro sobre indícios de irregularidade na negociação feita pelo Ministério da Saúde.

Segundo o parlamentar, o presidente teria prometido acionar a PF para investigar o caso (veja as mensagens).

A Polícia Federal buscou internamente, mas não encontrou nenhum inquérito aberto sobre o assunto.

A existência de denúncias de irregularidades foi revelada pela Folha na sexta-feira passada (18), com a divulgação do depoimento sigiloso de Luís Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, e irmão do deputado.

Ele disse ao Ministério Público Federal em Brasília que recebeu uma “pressão atípica” para agilizar a liberação da Covaxin, desenvolvida pelo laboratório Bharat Biotech.

No início, a apuração ocorria no curso de um inquérito civil público aberto pela Procuradoria da República no Distrito Federal.

Depois, o caso foi desmembrado, diante dos indícios de crimes na contratação.

O fato de o governo de Jair Bolsonaro ter reservado R$ 1,61 bilhão para uma vacina sem perspectiva de entrega, com quebras de cláusulas contratuais, já se configura um prejuízo à saúde pública, disse à Folha a procuradora da República Luciana Loureiro, responsável pelo inquérito civil.

O Planalto, por sua vez, reagiu no fim da tarde desta quarta (23) escalando um dos investigados pela CPI para explicar o caso Covaxin —Elcio Franco, assessor especial da Casa Civil e ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde—, mas sem conseguir rebater o eixo das suspeitas.

O presidente Bolsonaro ainda pediu para que a Polícia Federal investigue o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda e o irmão dele, o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), autores das acusações que o envolvem.