PF sumiu com dinheiro, forjou provas e a obrigou a assinar confissão de culpa, acusa Nair Blair

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Após um silencio de quase dois anos, a empresária Nair Blair, de repente apareceu e resolveu dar uma versão para sua prisão em flagrante por compra de votos durante a campanha à reeleição do governador José Melo, em 2014. Ela afirmou repetidamente, na tarde desta quinta-feira (22) em entrevista coletiva, realizada no Hotel Blue Tree Premium, no Adrianópolis, que teria sido vítima de um trama forjada dentro da Polícia Federal, onde sumiram com parte do dinheiro que estava em seu poder, forjaram provas e a coagiram a assinar uma confissão de culpa.

“Forjaram um flagrante, apresentaram uma pessoa que supostamente estava comigo e eu não conhecia, e também chegaram com umas caixas com recibos em brancos, além de pastas, planilhas e computadores que não estavam comigo, pois eu estava hospedada no hotel e não tinha nada além da minha bolsa. A partir disso eu fui obrigada a assinar uma confissão de culpa”, disse Nair Blair que é parte em inúmeros processos contra o governador José Melo que é suspeito de, com ajuda de Nair, orquestrar um esquema de compra de votos nas eleições 2014.

A chamada de coletiva de imprensa feita por Nair e seus assessores foi realmente estranha. A dúvida paira no ar, já que o Amazonas está entrando no ápice das descobertas de mais escândalos na saúde pública do Estado, que foram desencadeadas após a deflagração da operação “Maus Caminhos”, realizada nesta terça-feira (20) pela Policia Federal, e pelo pedido de uma instalação de uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI), na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM).

Nair disse que só decidiu falar agora porque não queria mais ver o seu nome ventilado em crimes que, segundo ela, não cometeu. “Estão me jogando como uma bolinha. Apareço no processo do processo, do processo, do processo que são coisas que não tem nada a ver comigo”, disse Nair ao ressaltar que durante os trabalhos de sua empresa na Copa do Mundo nunca teve contato com José Melo.

Se esquivando de dizer se tem ou não ralação com o governador e o secretário Evandro Melo, Blair disse que nunca participou do que ela classificou de um possível esquema de compra de votos, e apenas prestou um serviço ao Estado e que, segundo ela não foi pago devidamente.

“Estão dizendo que minha empresa de segurança recebeu dinheiro através de desvio e não prestou serviço. Isso é totalmente ao contrário. Nós prestamos os serviços na copa do mundo de 2014 e não pagaram os R$ 10 milhões, mas apenas R$ 1 milhão”, disse.

A empresária destacou que após ser detida e levada a delegacia, os policiais federais que lhe abordaram ‘deram um sumiço’ em parte do dinheiro que estava com ela.

“Eu cheguei na delegacia com R$ 14,6 mil que havia sacada da minha conta e que usaria na viagem que estava prestes a fazer. O delegado pegou a bolsa e só me devolveu quatro horas depois. Quando me devolveram o dinheiro tinha apenas R$ 7 mil. Vamos entrar com um recurso contra a polícia por esse episódio com a minha bolsa e o sumiço do meu dinheiro”, comentou.

Nair ressaltou que desconhece os objetos que disseram que foi apreendido com ela. “Eu categoricamente digo que as tais provas não estavam comigo”.

Ao ser questionada sobre o que fazia na reunião de uma igreja no momento em que foi presa, a empresária disse que estava atrás de oração e que não teria ido lá para uma reunião que se tratava de compra de votos.

“Me apresentaram como parte da assessoria do Melo, e eu rapidamente peguei o microfone e disse: vim como serva do Senhor. Não sou representante do governador. Após isso fui orar com uma pessoa no banheiro”, comentou Blair. (Equipe do Radar)