Polícia pede ajuda a mulher que teria sobrevivido a ataque de serial killer

confessoA Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, que investiga os 43 assassinatos que Sailson José das Graças, de 26 anos, diz ter cometido, pede a colaboração de uma possível sobrevivente do serial killer. Durante depoimento, ele confessou ter deixado uma das vítimas viva após três tentativas frustradas de matá-la.

“Ele esganou a mulher e ela apagou. Em seguida ela acordou. Aí tornou a esganar, ela novamente apagou. Na terceira tentativa, quando ela acordou, ele olhou e disse, ‘bom, essa daí não é para eu matar’”, disse o delegado, fazendo o apelo para que essa mulher ou algum parente dela compareça à delegacia para colaborar com as investigações.

Segundo o delegado, essa vítima não conhece a fisionomia de Sailson, pois ele usava uma touca ninja quando tentou matá-la. De acordo com a polícia, até a manhã desta sexta, sete crimes já tinham sido confirmados como sendo de autoria de Sailson.

O suspeito diz já ter matado 39 mulheres, três homens e uma criança e, de acordo com a polícia, ele será transferido nesta sexta-feira (12) para um presídio do Rio. Além dele, também será transferida Cleuza Balbina, companheira de Sailson. Na quinta-feira (11) foi transferido José Messias, ex-marido de Cleusa. Os três moravam na mesma casa. De acordo com o delegado, a polícia está investigando o caso para confirmar a autoria de todos os crimes. Quatro mortes teriam sido encomendadas por Cleusa.

“Com relação aos crimes de homicídio, os que eram por encomenda ele matava a facada e seriam a maioria homens. A única exceção seria a Fátima. Os outros, com relação as mulheres, ele diz que ele matava por prazer, por isso que ele não usava faca, porque ele gostava de ver o sofrimento da mulher. Ela demorava a morrer”, diz o delegado.

cintia_cortado2Outra vítima sobreviveu

Uma mulher que sobreviveu em 2012 a um ataque do serial killer disse que teve a morte encomendada pelo próprio pai de criação, José Messias, que foi preso junto da ex-mulher Cleuza.

Segundo a vítima, Cíntia Ramos Messias, Cleuza e seu pai teriam encomendado a morte porque queriam ficar com a guarda de sua filha. Na época do crime, a criança era recém-nascida. Cintia prestou depoimento nesta quinta-feira na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, que investiga o caso. Ela possui marcas de facadas do ataque na pele.

“Ele botou a faca nas minhas costas na porta de casa. Me levou para um terreno baldio e me deu facadas no peito. Ele me largou em pé porque a facada do peito jorrou muito sangue. Fiquei de 5h30 até 7h até alguém me achar e chamar o socorro”, disse Cíntia.

Criminoso frio

Negro, jovem, muito frio e tranquilo, Sailson contou que só matava mulheres brancas, louras ou morenas. “Negra, da raça, não, porque é da família”, disse.

Para Cleuza, ele costumava dizer: “Vou sair para a caçada”, de acordo com depoimentos. Segundo a investigação, ela sustentava Sailson e pagava pelos crimes encomendados dando dinheiro, roupas e comida.

Livros e filmes eram inspiração

Ele contou ao delegado Marcel Machado que estudou até o quinto ano do primeiro grau e que gostava de ler livros na biblioteca da prisão e de ver filmes policiais, de onde teria aprendido algumas técnicas para não deixar vestígios dos crimes, como usar touca, luvas ou cortar as unhas das vítimas quando havia luta corporal.

“Às vezes pensava que eu era meio maluco, mas outras vezes achava que era normal. Matava porque gostava. Não me arrependo e, quando sair [da cadeia], provavelmente vou matar de novo”, disse, friamente, na delegacia.

Outras prisões

Sailson já tinha sido preso pelo menos quatro vezes por roubo, furto e porte de arma, e nunca fugiu. Ao delegado, contou que gostava da cadeia e até perguntou ao ser preso se iria para a penitenciária em Niterói, pois gostava muito de lá. Sailson contou ao delegado que nunca trabalhou, mas fazia alguns “biscates”, como pintar um muro ou plantar uma árvore.

Contou que o pai morreu eletrocutado em um acidente de trabalho quando ele tinha 11 anos. Segundo o delegado, Sailson tem ex-mulher, um filho e mãe vivos e é de família religiosa. Até o início da tarde desta quinta (11), nenhum parente apareceu na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.