População faz manifestação e acusa polícia de executar jovem inocente no Tarumã (ver vídeos)

A polícia nega as acusações e diz que o jovem morreu de mal súbito

Foto: Rafa Braga

Moradores de uma ocupação situada próximo a Cachoeira Alta, no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus, fizeram uma manifestação na noite desta segunda-feira (3), após uma ação truculenta de policiais das Rondas Ostensivas Cândido Mariana, que segundo a população, teria supostamente resultado na morte de Antônio Carlos Fernandes, de 20 anos. A população acusa a polícia de ter executado o jovem com dois disparos de arma de fogo. (veja lives no final da matéria).

Durante a manifestação a população fechou a rua e ateou fogo na estrada. Amigos da vítima mostraram duas cápsulas de bala que foram recolhidas logo após a ação. Ainda de acordo com os moradores, a polícia invadiu as casas sem ter nenhuma ordem judicial, e tratou todos como se fossem bandidos.

“Era 16:30 quando eu vi todas as crianças saindo correndo, e as pessoas sendo intimidadas, e todos eles com armas em punho no meio da comunidade entrando em cada barraca. Eu sei que eles estão fazendo o trabalho deles, mas eles não tinham o direito de sair atirando, pois poderia pegar em uma criança”, disse uma moradora.

Ainda de acordo com relatos de testemunhas, após Antônio Carlos ter sido baleado, ele ainda foi algemado e agredido pelos policiais, e que demoraram quase uma hora para socorrê-lo e encaminhá-lo para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales. Na unidade de saúde, ele não resistiu aos ferimentos e foi à óbito na noite dessa segunda-feira (03).

Mãe da vítima presenciou as agressões

Visivelmente abalada e ainda em estado de choque, a mãe da vítima, Jandira Almeida Fernandes, falou com a equipe do Radar e disse que implorou para a polícia parar com as agressões mas, seu pedido não foi ouvido.

“Eles deram um pisão no peito do meu filho, ele estava em casa e não tinha nem três minutos que ele tinha saído e rapidinho aconteceu isso. Pisaram ele e bateram nele com a arma mesmo sem reagir, eu falei em nome de Jesus soltem o meu filho ele já está passando mal e tá com os lábios roxo”, disse.

Além disso, os manifestantes fizeram outra grave acusação. Segundo eles, a polícia teria implantado drogas no bolso de Antônio Carlos na tentativa de incriminá-lo.

O outro lado

A reportagem do Radar conversou com o tenente André Rocha, e segundo ele a vítima não teria sido executado por arma de fogo e teria tido um mal súbito. A reportagem questionou também se houve troca de tiro, mas o tenente respondeu que o fato não havia ocorrido em seu turno e que não sabia informar.

“Eu não estava na ocorrência, eu não sei falar, pelo menos a informação que chegou da UPA pra mim é que ele morreu de mal súbito e não morreu de disparo de arma de fogo, mas vamos apurar e se for confirmado será investigado pela delegacia de homicídios”, afirmou o tenente.

Foto: Rafa Braga

Após um diálogo entre a população e o tenente a população encerrou a manifestação e o corpo de bombeiros apagou as barricadas e a pista foi liberada.

Execução ou mal súbito?

A irmã de Antônio Carlos, Francisca Fernandes, estava na UPA Campos Sales,  e segundo ela os médicos disseram que ele teve uma convulsão e que não tinha tiro nenhum. Porém segundo ela, os tiros atingiram as costas e quando ela foi ver o corpo de seu irmão o médico não deixou que ela visse as costas.

“O médico disse que não tinha perfuração, sendo que a perfuração era atrás e ele não deixou eu ver. Quando eu tentei abrir mais um pouco o plástico ele não deixou”, disse.

O Radar questionou da Secretária de Segurança Pública (SSP-AM) o motivo que levou os policiais a agirem de tal forma dentro da comunidade, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

Acompanhe a cobertura da manifestação