Por falta de leitos em Manacapuru, pacientes são transferidos para Manaus e população acredita estar vivendo terceira onda

Jonne Roriz/VEJA

Os casos de Covid-19 no município de Manacapuru (distante 98 km de Manaus) tiveram um aumento significativo e a população acredita já estar vivendo uma terceira onda. Os dados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-AM) reforçam ainda mais a possibilidade de uma nova onda de contaminações, nos últimos 14 dias o hospital de campanha do município registrou 30 internações, e devido à falta de leitos, a SES começou a transferência de pacientes para Manaus.

Os dados divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) mostram números preocupantes. Nessa quinta-feira (10), Manacapuru registrou 134 novos casos de Covid-19 e quatro mortes pela doença.

Somente no mês de maio deste ano foram 860 casos da doença e 25 mortes. Nos primeiros nove dias de junho já foram registrados 283 novos casos e 10 mortes. Desde o início da pandemia o município totaliza 9.849 casos e 350 mortes, o que faz de Manacapuru o quarto município em número de casos do Amazonas.

O Radar questionou da SES quantas pessoas estão internadas neste momento no município de Manacapuru e quantas já foram transferidas este mês para Manaus e a Secretaria disse que “para mais informações sobre internações de pacientes, sugerimos entrar em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Manacapuru”. O Radar entrou em contato com a Secretaria Municipal de Manacapuru para questionar qual a quantidade de pacientes internados no município, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

Aulas presencias 

Apesar da crise sanitária, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) insiste e manter as aulas presenciais colocando em risco professores e alunos. O Radar entrou em contato com uma professora da rede pública de Manacapuru, que preferiu não se identificar e descobriu que os professores mesmo com laudos que comprovam comorbidades estão sendo obrigados a dar aulas presencialmente.

Ela denuncia também que as turmas tem em média 40 alunos e devido aos protocolos de segurança não é permitido ligar os aparelho de ar condicionados e que as salas não possuem muitas janelas impedindo a circulação de ar.

“Tem sala sem ventilação, e tem sala só com uma janela no fundo. Eu sou do grupo de risco, entrei com um atestado de comorbidade só que eles não estão aceitando”, disse a professora.

A profissional da educação falou durante entrevista que já recebeu a segunda dose da vacina, mas que a segunda dose está prevista somente para o mês de agosto.

Mudanças no decreto de restrição de circulação

O Núcleo de Controle de Pandemia do município avaliou que, a maioria das aglomerações não acontece à noite e sim durante o dia, e por isso haverá uma flexibilização do comércio à noite e maior fiscalização durante o dia.

“O decreto está vigorando a partir de hoje e o comércio irá funcionar por questões sócio econômicas até 00h e o gabinete de crise irá fiscalizar tanto no horário diurno quanto no horário noturno para evitar aglomerações de modo geral”, disse o coordenador do núcleo Jander Batista.

A SES-AM informou que está aumentando a quantidade de testes para Covid-19 para identificar quais variantes circulam na cidade.

Falta de oxigênio

Cinco meses atrás, a cidade também sofreu com a falta de oxigênio durante a segunda onda de Covid-19 no Amazonas. Em janeiro deste ano o município chegou a registrar sete mortes pela doença em um único dia pela falta de oxigênio.