Por falta de leitos, pacientes são obrigados a ficar internados em chão do Hospital 28 de Agosto

Denúncias que chegaram ao Radar dão conta de que pacientes internados no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na zona Centro-Sul de Manaus, estão sendo atendidos em cadeiras e até no chão, sujeitos a vários tipos de infecções que podem piorar ainda mais o quadro de saúde, porque não tem leitos para atender todos. Uma foto feita por familiares de um paciente internado desde último domingo (17) no hospital, com problemas de trombose, mostra ele dormindo no chão.

“Viemos do interior em busca de tratamento na capital, mas quando chegamos não tinha nem leito disponível, ele teve que ficar no chão mesmo. Depois de algumas horas, por sorte conseguimos um colchão. Não sabíamos que era assim, pacientes jogados um por cima do outro nos corredores, parecendo uma cena de guerra. Mas infelizmente essa é a nossa realidade, bem diferente de quem tem ‘contato’ de alguém influente, pois aí arranjam um leito rápido”, reclamou um parente, que preferiu não se identificar.

De acordo com ele, o pai aguarda por uma ultrassom com doppler para avaliar a circulação dos vasos sanguíneos e o fluxo de sangue nas pernas. “Ele está na lista de espera há dias e nada. Até agora só tem recebido medicação e o médico até cogitou lhe dar alta antes mesmo de realizar o exame, mas não permitir”, afirmou o parente, acrescentando que falta material básicos para a realização de procedimentos cirúrgicos, que sobrecarrega o hospital.

Além de enfrentar a falta de leitos, medicação e exames, os pacientes se deparam também com a falta de atendimento humanizado por parte dos profissionais que atuam na unidade de saúde. De acordo com a família, são “ignorantes e grosseiros”. “Eles vem de qualquer jeito, reclamando da falta de pagamentos e de materiais pra trabalhar, mas nós não temos nada com isso, estamos aqui porque precisamos e não temos culpa disso”, destacou o interlocutor ao Radar.

Resposta na íntegra da Susam

O HPS 28 de Agosto informa que o abastecimento de medicamentos vem melhorando ao longo do ano e que os exames estão sendo feitos normalmente na unidade. Importante frisar que para poder responder da melhor forma possível, é fundamental o detalhamento das denúncias, porém não foi permitido pela reportagem.

Ressalta-se que em qualquer unidade de urgência e emergência, o atendimento é por classificação de risco, então o tempo de espera do paciente dependerá de cada caso. Os de maior risco sempre terão prioridade.

Durante todo esse ano da nova gestão nunca houve internação de pacientes no chão, embora em situações pontuais de superlotação, que podem ocorrer quando há aumento de demanda, alguns pacientes podem acabar tendo que aguardar a liberação de leitos em poltronas.

A unidade possui Ouvidoria e orienta que as reclamações sobre atendimento sejam registradas para que sejam apuradas e tomadas as providências cabíveis.